Marco Liorni lança 'Dove la luce ritorna': um romance sobre laços, memória e o farol de Favignana

Marco Liorni lança 'Dove la luce ritorna', romance sobre família, farol de Favignana e segredos; rendimentos serão doados ao Cesvi.

Marco Liorni lança 'Dove la luce ritorna': um romance sobre laços, memória e o farol de Favignana

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Marco Liorni lança 'Dove la luce ritorna': um romance sobre laços, memória e o farol de Favignana

Por Chiara Lombardi — Em um movimento que transforma a experiência jornalística em ficção íntima, Marco Liorni apresenta Dove la luce ritorna, romance publicado pela Rai Libri e disponível desde 28 de outubro nas livrarias e plataformas digitais. Não se trata apenas de uma obra sobre acontecimentos familiares: é, como um filme bem dirigido, um espelho do nosso tempo, que investiga como as histórias que carregamos reescrevem nosso presente.

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Partindo das entrevistas e das vidas que encontrou ao longo de uma carreira entre rádio e televisão — programas como Reazione a catena, ItaliaSì! e L'Eredità — Liorni constrói uma narrativa onde afetos, lembranças e segundas possibilidades se entrelaçam. O autor confessa que muitas histórias ouvidas ao longo dos anos germinaram neste romance: “Quando a realidade me inspirou, a transformei, preservando, porém, a verdade dos sentimentos”, escreve ele na apresentação.

O enredo acompanha uma família que, no precipício de velhas certezas, decide se recolocar: o casal Paolo e Amedea muda-se para um antigo faro, um cenário que funciona como reframe simbólico — luz que isola e ao mesmo tempo revela. Paolo é um ator em declínio que não consegue se desprender de Elia Drago, personagem que marcou sua carreira; Amedea enfrenta, com humor ou revolta, as pequenas tiranias da burocracia. Junto a eles, os filhos Luisa, agente imobiliária sensível às memórias das casas, e Giulio, dividido entre autonomia e vínculo paterno, tentam costurar novos modos de existir.

O farol torna-se palco de um achado inesperado que obriga cada personagem a confrontar segredos, feridas e recordações guardadas. É nesse encontro com o passado que Liorni examina a dificuldade da comunicação familiar, a urgência das revelações e a delicadeza das segundas chances. O romance não evita as contradições: ao contrário, as explora com ternura e rigor, como quem desmonta uma cena, enquadrando as luzes e sombras que a compõem.

Há, ainda, um vínculo íntimo que atravessa o texto: a memória da nonna Teresa, filha do guardião do faro de Favignana. Essa origem pessoal dá ao livro um tom de relicário, uma leitura de família que jamais perde a dimensão coletiva — o farol é também símbolo cultural, um artefato de identidade mediterrânea que remete às narrativas do sul europeu.

Além do compromisso estético, Marco Liorni firma um gesto concreto: os rendimentos da obra serão destinados ao Cesvi para apoiar menores e famílias em situação de vulnerabilidade. Essa decisão coloca o livro numa tradição em que a criação literária se transforma em ação social — o roteiro oculto da responsabilidade que o entretenimento pode exercer.

Em suma, Dove la luce ritorna é um romance que funciona como lente sobre nossos laços mais íntimos. Lê-lo é como assistir a uma cena que, lentamente, revela a gramatura emocional dos personagens — e, por extensão, de nós mesmos. É uma obra que convida a olhar para o passado sem nostalgia cega, buscando nas memórias a possibilidade de recomeço.

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