Custos de gestão de resíduos sobem: Itália paga 340€ por família, alerta Assoambiente

Relatório Assoambiente aponta aumento dos custos de gestão de resíduos: 340€ por família, desafios na reciclagem e 21% de circularidade na Itália.

Custos de gestão de resíduos sobem: Itália paga 340€ por família, alerta Assoambiente

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Custos de gestão de resíduos sobem: Itália paga 340€ por família, alerta Assoambiente

Apresentado em Rimini durante a feira Ecomondo, o relatório "I Rifiuti in Numeri 2026" da Assoambiente traz um diagnóstico contundente sobre a situação da economia circular italiana: embora a Itália continue entre os países europeus mais avançados em aproveitamento de recursos, múltiplas fricções estruturais ameaçam a performance e pressionam o bolso de famílias e empresas.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O estudo revela que a Itália registra um índice de circularidade superior a 21%, quase o dobro da média europeia (12,2%) e atrás apenas da Holanda (27,2%). Esse desempenho é notável para um país com recursos naturais limitados e um setor manufatureiro fortemente dependente da transformação de matérias-primas. Ainda assim, o relatório aponta pontos de vulnerabilidade que requerem intervenção estratégica.

Entre os sinais de alerta está a crise da reciclagem do plástico, o aumento da produção de resíduos especiais, o uso persistente de aterros e um aproveitamento reduzido do recupero energético. Além disso, mais de 6 milhões de toneladas de resíduos seguem sendo exportadas anualmente, refletindo tanto desafios técnicos quanto lacunas na infraestrutura nacional.

Em termos econômicos, a pressão é palpável: o custo da gestão de resíduos atingiu, em média, 340 euros por família por ano, enquanto os encargos para as empresas superam os 20 bilhões de euros no agregado. Esses números transformam a gestão do lixo em fator relevante de competitividade e custo competitivo, exigindo uma calibragem fina nas políticas públicas e nos incentivos ao setor privado.

O panorama material confirma a escala do desafio. A economia italiana utiliza anualmente 777 milhões de toneladas de materiais, volume estável na última década. Deste total, 642 milhões são matérias-primas virgens e 135 milhões provêm do reciclo. Aproximadamente 300 milhões de toneladas — cerca de 46% das matérias-primas virgens — são importadas, em grande parte combustíveis fósseis, o que aumenta a exposição externa e a vulnerabilidade a choques de preço.

Em 2024, a produção total de resíduos alcançou 202 milhões de toneladas, das quais 29,9 milhões foram resíduos urbanos e 172,1 milhões resíduos especiais. O relatório ressalta também que nem toda matéria usada vira resíduo imediato: parte é incorporada em bens e infraestruturas e outra é emitida, o que reforça que a economia circular não pode basear-se apenas no aumento do reciclo, mas deve contemplar eficiência de uso e redução do consumo de combustíveis fósseis.

Como estrategista, vejo esse diagnóstico como um painel de instrumentos: o motor da economia italiana ainda responde bem às manobras de circularidade, mas exige reequilíbrio entre oferta tecnológica, regulação e investimentos. É necessário acelerar a modernização das plantas de reciclagem, ampliar o recupero energetico responsável, e desenhar incentivos que reduzam a exportação de resíduos e a dependência de importações de materiais críticos.

Em suma, o relatório da Assoambiente confirma conquistas importantes — a Itália como referência europeia em circularidade — ao mesmo tempo em que aponta freios e zonas de risco que demandam ação coordenada. A calibragem de políticas fiscais, apoio a inovação industrial e um plano de infraestrutura de ponta serão essenciais para transformar a vantagem atual em vantagem sustentável e de longo prazo.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘