Passaporte Digital do Produto impulsiona rastreabilidade e economia circular no setor têxtil em Ecomondo 2026
No Ecomondo 2026, o Passaporte Digital do Produto impulsiona rastreabilidade, interoperabilidade e economia circular na cadeia têxtil.
RESUMO ✦
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Passaporte Digital do Produto impulsiona rastreabilidade e economia circular no setor têxtil em Ecomondo 2026
Stella Ferrari – Em um painel estratégico durante o Ecomondo 2026, o setor têxtil discutiu a implementação do Passaporte Digital do Produto (DPP) como instrumento central para elevar a rastreabilidade, a transparência e a circularidade da cadeia de valor. O debate, técnico e orientado a soluções, reuniu representantes institucionais, indústria, pesquisa e associações para calibrar os padrões de qualidade, confiabilidade e interoperabilidade necessários ao novo ecossistema digital.
O congresso “Espr and Digital Product Passport in textiles: traceability and transparency along the value chain” focalizou o papel das tecnologias digitais e da inteligência artificial na melhoria do monitoramento de produtos, na otimização da coleta de resíduos têxteis e na valorização das matérias‑primas secundárias. Abertura e quadro institucional vieram a cargo da Aisec, com intervenções do Mimit e da Euratex, que traçaram a agenda regulatória e as prioridades para interoperabilidade entre plataformas nacionais e europeias.
Entre os participantes estavam lideranças do mundo acadêmico e da pesquisa aplicada, associações setoriais e grandes empresas, incluindo Bulgari, Calzedonia, Brandart e Saipem. As apresentações mostraram casos práticos de como blockchains permissionadas, etiquetas digitais e algoritmos de IA podem funcionar como o sistema de injeção eletrônica do “motor da economia” têxtil: sincronizando dados de origem, composição e ciclo de vida para decisões mais eficientes na ponta e no pós-uso.
O centro do diálogo concentrou-se em definir quais informações devem compor o DPP — desde matérias‑primas e tratamentos químicos até índices de reparabilidade e instruções de descarte — e em estabelecer critérios técnicos para garantir que esses dados sejam fidedignos e utilizáveis por todos os elos da cadeia. Foram debatidas metodologias de certificação da qualidade da informação, protocolos de verificação por terceiros e padrões abertos que assegurem a interoperabilidade entre sistemas de diferentes países e atores.
Na mesma jornada, realizou‑se a terceira edição da conferência “Reuse, repair and eco-design. The heroes of ‘magic’ circles of Circular Economy in the textile sector”, que destacou práticas de economia circular aplicadas ao vestuário: reuso, durabilidade, reparabilidade e ecodesign. Os painéis enfatizaram que soluções de produto e modelo de negócio precisam convergir — não apenas tecnologias de rastreio — para fechar o ciclo. Em termos práticos, trata‑se de transformar matéria retornada em insumo valioso, com procedimentos técnicos e logísticos que façam sentido econômico.
Do ponto de vista estratégico, minha leitura é que o setor têxtil está em processo de calibragem fina: integrar dados confiáveis com processos industriais e políticas públicas é a “engenharia de precisão” necessária para acelerar a transição. A adoção do Passaporte Digital do Produto será um elemento crítico dessa arquitetura, funcionando como a central eletrônica que coordena sensores, certificações e mercados de secundários. Para executivos e formuladores, a prioridade é alinhar normas, investir em interoperabilidade e promover pilotos que combinem qualidade de dados e viabilidade econômica.
Em suma, Ecomondo 2026 deixou claro que a próxima fase para a indústria têxtil exige tanto inovação tecnológica quanto disciplina de governança: é a calibragem entre performance e sustentabilidade que determinará quem lidera o mercado no novo ciclo industrial.

