Federchimica alerta: impacto do caro energia e 'tsunami normativo' de Bruxelas pesa sobre indústria química
Buzzella (Federchimica): caro energia, regulação de Bruxelas e dumping pressionam indústria química; setor pede ajuda estrutural à Europa.
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Federchimica alerta: impacto do caro energia e 'tsunami normativo' de Bruxelas pesa sobre indústria química
Por Stella Ferrari — Em participação ao vivo na Espresso Italia, durante o fórum Ecomondo em Rimini (evento que segue até 6 de novembro), Francesco Buzzella, presidente da Federchimica, traçou um diagnóstico preciso: a indústria química europeia já entregou resultados relevantes na transição ambiental, mas hoje sofre com pressões externas e regulatórias que comprometem a competitividade.
Os números que Buzzella apresentou funcionam como indicadores do desempenho do setor: desde 1990, a indústria química italiana e europeia conseguiu reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 73%, superando folgadamente a meta europeia de 55% estabelecida no pacote 'Fit for 55'. Além disso, houve uma redução de aproximadamente 60% no consumo de água nos últimos 20 anos e, alinhada à lógica da economia circular, quase 50% dos resíduos gerados são reaproveitados em processos químicos ou nos setores a jusante.
Esses avanços demonstram que o setor atuou como um dos motores da modernização industrial, com avanços técnicos que lembram a calibragem fina de um motor de alta performance: projetos, investimentos e inovação renderam ganhos ambientais expressivos sem perder produtividade.
No entanto, segundo Buzzella, a atual conjuntura agrega obstáculos significativos. O primeiro deles é o caro energia, agravado pelo impacto geopolítico na rota do Estreito de Hormuz, que elevou volatilidade e custos do fornecimento energético. Em paralelo, a indústria enfrenta o que o presidente descreveu como um verdadeiro tsunami normativo vindo de Bruxelas, composto por diretivas e regulamentos que vêm condicionando a atividade industrial de forma mais intensa do que outros setores.
Buzzella ressaltou um dado comparativo contundente: a União Europeia produziu nos últimos anos cerca de 13.000 normas, contra aproximadamente 3.000 nos Estados Unidos — um descompasso regulatório que, na visão do setor, impõe uma sobrecarga administrativa e competitiva. Soma-se a isso uma concorrência internacional marcada por práticas de dumping estrutural de alguns players chineses, que pressionam margens e capacidade de investimento da indústria europeia.
Frente a esse cenário, a expectativa de Federchimica é clara: é preciso que a Europa ofereça ajuda estrutural — medidas que vão além de retóricas e passem por mecanismos efetivos de mitigação dos custos energéticos, ajustes regulatórios que equilibrem ambição ambiental com competitividade industrial e instrumentos anti-dumping mais eficazes.
A mensagem de Buzzella no Ecomondo é dupla: reconhecer o progresso — fruto de uma engenharia de políticas e investimentos bem calibrados — e, ao mesmo tempo, exigir do legislador europeu uma visão estratégica que mantenha o setor químico como um motor de inovação e emprego na economia europeia. Em termos de desenho de políticas, trata-se de alinhar a ambição verde com as condições reais de mercado, evitando que os freios fiscais e regulatórios desloquem produção e capacidade para fora do continente.
Ao final, o apelo é por soluções estruturais que permitam à indústria química continuar sua trajetória de descarbonização e circularidade, sem perder a capacidade de competir globalmente e de servir como vetor de desenvolvimento para a economia italiana e europeia.

