Pella (Anci): prefeitos devem ousar para colocar a mobilidade sustentável na agenda política
Pella (Anci) pede que prefeitos ousem e coloquem a mobilidade sustentável na agenda política, com ciclovias, segurança e integração territorial.
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Pella (Anci): prefeitos devem ousar para colocar a mobilidade sustentável na agenda política
Por Stella Ferrari — Em discurso firme na apresentação da décima edição do Urban Award, Roberto Pella, vice-presidente da Anci, convocou os gestores municipais a serem protagonistas na colocação da mobilidade sustentável no centro das decisões políticas. "Os prefeitos devem ousar para garantir que os temas da mobilidade sustentável cheguem aos governos nacionais e ao debate europeu", afirmou Pella, sublinhando a responsabilidade local como motor de mudança.
Na minha leitura como economista com visão estratégica, a mensagem é clara: os municípios funcionam como a calibragem do motor da economia urbana. Investir em pistas cicláveis seguras, infraestrutura para pedestres e políticas que incentivem o deslocamento ativo é, ao mesmo tempo, uma medida de saúde pública, eficiência energética e planejamento territorial. Pella destacou que é imprescindível evitar que as populações das áreas internas migrem para os grandes centros, um movimento que gera congestionamento, perda de produtividade e pressão sobre serviços urbanos.
O Urban Award, segundo Pella, oferece uma contribuição significativa ao longo de dez anos de atividades: inovação constante, envolvimento dos territórios e reconhecimento de boas práticas que tornam as cidades mais humanas. "Os prefeitos são o baluarte das políticas ativas", disse, lembrando que a ação local constrói cidades que permitem caminhar, pedalar e viver com segurança.
Além dos ganhos de mobilidade, há benefícios sanitários e econômicos claros. A promoção da atividade física diminui custos energéticos — no sentido amplo de eficiência de recursos — melhora a qualidade de vida e do ambiente, e reduz a incidência de doenças não transmissíveis como obesidade e diabetes. Em termos pragmáticos, cada quilômetro de ciclovia bem pensado pode funcionar como um componente de engenharia que reduz desgaste nos sistemas de saúde e amplia a produtividade urbana.
Como estrategista, vejo nessa agenda uma oportunidade para alinharmos design de políticas municipais com programas nacionais e fundos europeus. É preciso coragem política para implantar medidas que, no curto prazo, exigem investimentos e mudanças de comportamento; mas que, no médio e longo prazo, representam aceleração de tendências positivas: cidades mais verdes, menos poluição e economia local mais resiliente.
Concluo com uma observação prática: prefeitos que transformam a mobilidade urbana não apenas respondem a demandas imediatas, eles desenham o projeto econômico de suas cidades. Assim como um motor de alta performance requer peças calibradas e manutenção constante, a transição para a mobilidade sustentável precisa de liderança, recursos e visão integrada para garantir deslocamentos seguros, saudáveis e eficientes.

