Dolce&Gabbana transforma o lobbies em cinema na campanha Holiday 2026 de Gordon von Steiner
Dolce&Gabbana e Gordon von Steiner assinam a campanha Holiday 2026: lobbies cinematográficos, vermelho e dourado e um toque de onça para as festas.
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Dolce&Gabbana transforma o lobbies em cinema na campanha Holiday 2026 de Gordon von Steiner
Por Chiara Lombardi — Quando a moda decide contar histórias, o resultado costuma ser mais do que roupa: é um cenário de transformação. Em sua nova campanha para as festas, a casa italiana Dolce&Gabbana confia ao fotógrafo e diretor Gordon von Steiner a missão de traduzir a atmosfera natalina como uma sequência cinematográfica.
O palco é a lobby de um hotel em festa, onde o acessório principal não é um colar ou um sapato, mas o próprio encontro. Entre olhares cúmplices, encontros fugazes e beijos escondidos, a narrativa visual desdobra-se com uma sensualidade contida — aquela que se revela em pequenos gestos e em silêncios cheios de significado. É um espelho do nosso tempo: imagens que anunciam tanto fantasia quanto uma verdade discreta.
Os interiores vêm banhados por profundas tonalidades de vermelho, pontuadas por acentos dourados e por jogos de luz que escavam a textura dos tecidos e iluminam as formas. No guarda-roupa feminino, os vestidos e casacos fluem entre o romântico e o dramático; no masculino, a cena é marcada por linhas rigorosas e construções precisas — a alfaiataria que dita presença sem precisar gritar.
Um detalhe que imprime humor e ousadia: acentos de onça nos acessórios. A estampa leopardo, tratada com ironia e elegância, atua como um comentário sutil sobre a performatividade do luxo e da identidade em festas. Esses elementos funcionam como pistas visuais, convidando o olhar a mudar de perspectiva e a questionar o que é real e o que é encenação.
Ao deslocar o ponto de vista entre o óbvio e o implícito, a campanha Dolce&Gabbana Holiday 2026 celebra a magia das festas não apenas como celebração externa, mas como o pequeno choque de descobrir que nada é exatamente como parece. Gordon von Steiner explora essa ambivalência com uma estética que mistura cinema noir e glam contemporâneo — a imagem que consegue ser, ao mesmo tempo, luxuosa e suspeitosa, romântica e calculada.
Como observadora do zeitgeist, vejo nesta campanha um roteiro oculto da sociedade: a festa como palco de revelações íntimas, onde a moda funciona como máscara e espelho. A presença do dourado, do vermelho e do leopardo cria uma paleta que é, em si, comentário sobre memória e desejo — sobre como certas imagens nos retornam pequenas lembranças culturais e familiares, moldando a experiência do presente.
Em suma, a campanha é um convite a olhar além da vitrine: a cada corte, a cada reflexo dourado, Dolce&Gabbana e Gordon von Steiner propõem que a verdadeira surpresa das festas é a dissonância entre aparência e substância — e que, nesse intervalo, mora a poesia.

