Solo em risco: Re Soil alerta que alimentos ficarão mais pobres se não nutrirmos a terra
Re Soil alerta: 47% dos solos italianos degradados; sem mais matéria orgânica, alimentos ficarão mais pobres. Soluções: Lighthouse Farms e bioeconomia circular.
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Solo em risco: Re Soil alerta que alimentos ficarão mais pobres se não nutrirmos a terra
Em apuração in loco na feira Ecomondo, realizada na Fiera di Rimini, Debora Fino, presidente da Fundação Re Soil, fez um alerta técnico e objetivo: o solo é condição central para a segurança alimentar e já mostra sinais graves de desgaste. Segundo a executiva, "o 65% dos solos europeus está degradado" e, na Itália, "o 47% das terras se encontra na mesma situação".
Fino destacou um dado que sintetiza a relação entre solo e saúde humana: a presença de carbono orgânico no solo — a matéria orgânica que permite a regeneração das terras — é responsável por garantir cerca de 95% dos alimentos que chegam às mesas. "Se não incrementarmos a matéria orgânica nos solos, em pouco tempo teremos alimentos mais pobres", disse a presidente da Fundação Re Soil em entrevista ao Espresso Italia, transmitida ao vivo de Ecomondo.
Na linha das soluções apontadas por Fino, práticas agronômicas corretas e testadas em campo se mostram essenciais. A fundação acompanha empresas agrícolas-piloto, as chamadas Lighthouse Farm, onde são aplicadas rotinas de rotação de culturas, uso de fertilizantes de baixo impacto e técnicas de agricultura de precisão. "São fazendas farol, de portas abertas, onde produtores e empresas podem ver com seus próprios olhos que uma agricultura moderna e respeitosa é possível", afirmou.
A lógica prática apresentada pela presidente cruza dados e aplicação: sistemas agrícolas que priorizam a saúde do solo produzem alimentos mais nutritivos e reduzem riscos à saúde pública. "No fim das contas, se os produtos que consumimos vêm de um solo saudável, nós seremos saudáveis também", pontuou Fino, em declaração direta e sem rodeios.
Outro elemento destacado na entrevista foi a dimensão do desperdício e a conexão com a bioeconomia circular. Fino citou um número alarmante: "uma pessoa descarta em média 400 quilos de alimentos". A estratégia proposta é integrar políticas e práticas que reduzam o desperdício alimentar e, ao mesmo tempo, devolvam nutrientes ao solo — fechando o ciclo da bioeconomia circular e reforçando a fertilidade do solo.
As iniciativas de acompanhamento técnico da Fundação Re Soil visam consolidar evidências de campo: demonstrações práticas, monitoramento de carbono orgânico e difusão de protocolos que possam ser adotados em maior escala. O resultado esperado, segundo Fino, é duplo: maior resiliência dos ecossistemas agrícolas e alimentos com perfil nutricional preservado.
Da cobertura em Ecomondo, a mensagem é clara e pautada em fatos brutos e cruzamento de fontes: sem investimentos e práticas que recuperem e preservem a matéria orgânica do solo, a indústria alimentar e a saúde pública enfrentarão consequências mensuráveis. A recomendação técnica é imediata e operacional — promover rotação de culturas, otimizar uso de fertilizantes e implementar práticas de devolução de nutrientes ao solo como pilares de uma agricultura sustentável e produtiva.
Apuração e cruzamento de dados realizados no local reforçam a urgência do tema: políticas públicas, apoio técnico e adoção privada de boas práticas são necessários para reverter índices que já indicam solos comprometidos na Europa e na Itália.

