44º Torino Film Festival: John Travolta na abertura e 120 filmes em destaque
44º Torino Film Festival (24/11-02/12): 120 filmes, John Travolta na abertura, homenagens a Pamela Anderson, Andy Garcia e tributo a Marilyn Monroe.
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44º Torino Film Festival: John Travolta na abertura e 120 filmes em destaque
Levanta-se a cortina para a 44ª edição do Torino Film Festival, apresentada em Roma sob a direção artística de Giulio Base, que reafirma a missão iniciada três edições atrás: proteger a matriz autoral e cinefila do festival e manter aceso o desejo de descoberta. A programação, marcada por uma mistura de olhares independentes e inéditos, acontece de 24 de novembro a 2 de dezembro.
Na noite inaugural, em 24 de novembro, quem chega para abrir o festival é John Travolta, protagonista de Novembre 1963. L’assassinio di Kennedy, de Roland Joffé. O filme será exibido fora de competição na cerimônia de abertura no Teatro Regio, conduzida por Ambra Angiolini, e chega aos cinemas italianos em 3 de dezembro. Joffé revisita o atentado a John F. Kennedy a partir de uma perspectiva pouco explorada: o papel da criminalidade organizada norte-americana na narrativa histórica — um reframe que convida a reconsiderar memórias coletivas e as sombras que moldam a percepção pública.
A noite de abertura será também marcada pela entrega das Stelle della Mole a cinco nomes indiscutíveis do cinema internacional: além de John Travolta, serão homenageados Maria de Medeiros, Stephen Frears, Mike Newell e Margarethe von Trotta. No encerramento, em 2 de dezembro às 18h, o festival apresenta a estreia do biopic Villeneuve: The Rise of a Legend, que celebra a vida e a lenda do piloto de Fórmula 1 Gilles Villeneuve, ícone das Ferraris das décadas de 1970 e 1980.
Entre as homenagens, estrelas como Pamela Anderson, Fanny Ardant e Mira Sorvino também receberão as Stelle della Mole. O elenco internacional que anima o 44º TIFF inclui ainda Isabelle Huppert e Andy Garcia, enquanto a cinematografia italiana é representada por nomes como Giovanna Mezzogiorno, Anna Foglietta, Salvo Ficarra e Valentino Picone, Francesco Gheghi, Paolo Calabresi, Asia Argento, Antonia Liskova, Valeria Bruni Tedeschi, Valerio Mastandrea, Marco Giallini, Max Tortora, Celeste Dalla Porta, Mimmo Calopresti, Marco Ponti, Fabio Volo e Roberta Torre.
Um grande tributo também é dedicado a Marilyn Monroe, figura central do cartaz desta edição e objeto de uma retrospectiva que promete revisitar a imagem icônica da estrela como espelho cultural do seu tempo.
A seleção do festival conta com 120 filmes — 104 longas-metragens e 16 curtas — escolhidos entre mais de 5 mil inscrições. Do total, destacam-se 21 estreias mundiais, 12 estreias internacionais, 9 estreias europeias e 45 estreias italianas. "O programa continua a se distinguir pela escolha de obras originais e independentes — em sua grande maioria em estreia — e pela elevada presença de diretoras e cineastas mulheres", observa Giulio Base, postura que se reflete também nas três presidentes de júri das seções competitivas: Francesca Archibugi, Stefania Casini e Chiara Francini.
Dentre os títulos mais aguardados estão La notte delle fragole, de Alessandro Genovesi, com Ficarra e Picone, Anna Foglietta e Vittoria Puccini, e o fenômeno de bilheteria americano You Can See Everything, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim — que retoma o escândalo Theranos e a história de Elizabeth Holmes, um caso emblemático sobre fraude, espetáculo e a economia da reputação.
Como crítica cultural que observa o festival, vejo no Torino Film Festival mais do que uma sala cheia de projeções: há um roteiro oculto da sociedade que se desenha no alinhamento de escolhas curatoriais, homenagens e retrospectivas. É um cenário de transformação onde memórias e mitos são reposicionados, e onde cada estreia funciona como um pequeno espelho do nosso tempo — convidando o público a olhar, refletir e, talvez, alterar o próprio ponto de vista.

