Em audiência em Forlì, colegas de Luca Spada descrevem “situação nunca vista” em mortes suspeitas durante transporte
Audiência em Forlì ouve colegas de Luca Spada sobre mortes suspeitas em ambulâncias; testemunhas descrevem procedimentos e falhas nos transportes.
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Em audiência em Forlì, colegas de Luca Spada descrevem “situação nunca vista” em mortes suspeitas durante transporte
Forlì — Prossegue a instrução do processo na Corte d'assise de Forlì contra Luca Spada, acusado pela promotoria do homicídio da aposentada de 85 anos Deanna Mambelli, vítima em 25 de novembro de 2025, e investigado por outras cinco mortes suspeitas ocorridas durante transportes em ambulância. A hipótese central da investigação é que as vítimas tenham sido mortas mediante a administração de ar em veia, prática que configura embolia gasosa.
Na audiência desta quinta-feira (5 de novembro), foram ouvidas três testemunhas-chave, chamadas a detalhar rotinas, papéis e limites das equipes envolvidas nos serviços de transporte sanitário: Debora Longo, presidente da Croce Rossa de Forlimpopoli-Bertinoro, local onde Spada prestava serviço; Francesca Fuzzi, responsável pelos transportes secundários da Croce Rossa — definidos como remoções de pacientes não graves que não exigem a presença de médico ou enfermeiro, apenas de dois motoristas-socorristas; e Maurizio Menarini, então responsável pelos transportes do 118 Romagna.
Os depoimentos foram colhidos após a nomeação de um perito encarregado da análise e transcrição das interceptações telefônicas recolhidas durante as investigações, com orientação expressa para a transcrição também das expressões em dialeto presentes nas gravações. No plenário, sob as questões apresentadas pelo Ministério Público, pelas defesas e pelas partes civis, as testemunhas forneceram um quadro técnico das práticas adotadas nas transferências de pacientes, tempos de atendimento e os limites operacionais dos socorristas.
Segundo as declarações, os transportes secundários seguiam protocolos padronizados: pacientes considerados estáveis eram transportados por equipas compostas exclusivamente por dois motoristas-socorristas, sem pessoal clínico a bordo. Fuzzi destacou as delimitações dessa modalidade de serviço e as competências atribuídas a cada operador; Longo detalhou a organização interna da associação e a supervisão sobre os voluntários; Menarini situou o enquadramento institucional do 118 em relação às associações locais e às regras de triagem e classificação de risco.
As testemunhas foram instadas a explicar como eram registados os tempos de cada intervenção, a documentação exigida e os critérios utilizados para decidir quando um transporte exigia acompanhamento clínico. Em todos os depoimentos, repetiu-se a preocupação com a atipicidade das mortes em investigação: "uma situação nunca vista", como resumiram fontes próximas ao processo.
O teor das interceptações agora em análise é considerado relevante para reconstruir eventuais comunicações internas e comportamentos anteriores aos episódios letais. A presença do perito visa assegurar que todas as nuances linguísticas — inclusive locuções em dialeto que possam conter informações técnicas ou circunstanciais — sejam fielmente transcritas e avaliadas pela acusação, defesa e pelo juiz.
O processo permanece em curso. As próximas sessões deverão acolher novas testemunhas e eventualmente perícias complementares, enquanto a investigação administrativa sobre procedimentos de transporte sanitário ganha contornos de investigação sistêmica. O caso segue sob forte atenção, dada a combinação de indícios formais e a gravidade da hipótese de administração de ar em veia.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e detalhes do expediente processual continuam a orientar o acompanhamento desta cobertura.

