Mostra de Veneza 83ª: Leone d'oro a George Clooney e estreia mundial de 'Ink' de Danny Boyle
Mostra de Veneza 83ª abre com Leone d'oro a George Clooney e estreia mundial de 'Ink', novo filme de Danny Boyle sobre a ascensão de The Sun.
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Mostra de Veneza 83ª: Leone d'oro a George Clooney e estreia mundial de 'Ink' de Danny Boyle
Hoje, quarta-feira, 2 de setembro, às 19h, a Sala Grande do Palazzo del Cinema no Lido inaugura a 83ª edição da Mostra de Veneza. A cerimônia de abertura será transmitida ao vivo pela Rai Movie e em streaming na RaiPlay a partir das 18h45, com apresentação da atriz e diretora Greta Scarano e do ator Nicolas Maupas. Entre as autoridades presentes estarão o presidente da Corte Constitucional, Giovanni Amoroso; o ministro da Cultura, Alessandro Giuli; o presidente da Região Veneto, Alberto Stefani; o prefeito de Veneza, Simone Venturini; e a subsecretária do Ministério da Cultura com delega ao Cinema, Lucia Borgonzoni.
O ponto alto da noite será a entrega do Leone d'oro alla carriera a George Clooney, celebrado tanto como ator quanto diretor. A homenagem contará com a laudatio da atriz norte-americana Laura Dern, num gesto que transforma a premiação em um espelho do percurso cultural e artístico que Clooney representa. Haverá ainda uma apresentação musical do cantor e ator italiano Tutti Fenomeni.
Em um festival onde o verniz glamouroso frequentemente oculta debates profundos, a presença das comissões avaliadoras assume papel central. A Júri de Veneza 83 será presidida por Maggie Gyllenhaal e composta por Kaouther Ben Hania, Daniel Blumberg, Francesco Casetti, Xavier Giannoli, Shahrbanoo Sadat e Johnnie To. A bancada de Orizzonti terá como presidente Valérie Donzelli, com Peter Becker, Elizabeth Lo, David Pablos e a atriz italiana Barbara Ronchi. Para o Prêmio Venezia Opera Prima – Luigi De Laurentiis, a comissão contará com Carolina Cavalli, Akinola Davies Jr. e Ted Hope.
Logo após a abertura, o festival entra em seu dispositivo narrativo central com a exibição em competição e em estreia mundial de Ink, o novo longa-metragem do vencedor do Oscar e do Bafta, Danny Boyle. Roteirizado por James Graham e estrelando Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy, Ink recria a gênese e a ascensão do tablóide britânico The Sun após a aquisição pelo magnata Rupert Murdoch e a direção editorial de Larry Lamb.
Ambientado em 1969, ano do pouso na Lua, o filme promete investigar como o jornalismo popular foi reformatado e quais efeitos essa mutação teve sobre o ecossistema informativo. Em palavras de Danny Boyle, tratar-se de um “batismo” na Mostra: um privilégio dirigir a escrita de James Graham e abrir o festival com uma narrativa que reconta, em paralelo à epopeia espacial, a transformação do olhar público sobre a notícia.
Como analista cultural, vejo nesta abertura um duplo espelho: de um lado, a consagração de trajetórias individuais — o Leone d'oro a Clooney — e, de outro, a representação histórica de uma virada no jornalismo moderno em Ink. A Mostra volta a se afirmar não só como vitrine de estrelas, mas como um cenário de transformação, onde o entretenimento dialoga com memórias coletivas e a semiótica do poder.

