Report estreia nova temporada sem Ranucci: plástico, Lavitola, influencers do caos e o mercado obscuro do trufado

Nova temporada de Report estreia com investigações sobre plástico, influencers do medo, Lavitola e o mercado global do trufado. Acompanhe às 20h30.

Report estreia nova temporada sem Ranucci: plástico, Lavitola, influencers do caos e o mercado obscuro do trufado

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Report estreia nova temporada sem Ranucci: plástico, Lavitola, influencers do caos e o mercado obscuro do trufado

Hoje às 20h30 estreia a nova temporada de Report na Rai 3 e RaiPlay, agora apresentada por Claudia Di Pasquale e Daniele Piervincenzi. A abertura do programa marca um momento de transição editorial — o primeiro episódio após o adeus de Sigfrido Ranucci — e reúne investigações que funcionam como um espelho do nosso tempo: do plástico que comemos às narrativas que alimentam o medo urbano, passando por tramas políticas e pelo mercado global do tartufo.

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No bloco inicial, Emanuele Bellano, com a colaboração de Madi Ferrucci, explora a crise invisível do plástico nos alimentos. Segundo um estudo de uma universidade australiana encomendado pelo WWF, podemos ingerir até cinco gramas de plástico por semana — o equivalente a uma carta de crédito. Uma parte significativa dessa contaminação vem do mar. A reportagem analisa também a aplicabilidade da Lei Salvamare (aprovada em 2022), que deveria permitir aos pescadores desembarcar os resíduos apanhados acidentalmente e entregá-los gratuitamente nas instalações portuárias. Na prática, quatro anos após a aprovação, os decretos regulamentares ainda não foram publicados pelos ministérios competentes e o sistema permanece inoperante. Sem um esquema claro de recolha, os pescadores arriscam sanções ao trazer lixo para terra e, muitas vezes, optam por devolvê-lo ao mar antes de retornar ao porto.

Em seguida, Luca Bertazzoni, com Samuele Damilano, assina "Gli sciacalli": uma investigação sobre os chamados "influencers do degrado", Youtubers que transformam a microcriminalidade urbana em produto audiovisual com milhões de visualizações. A metropolitana de Roma surge como palco preferido, um set natural para episódios que exaltam rondas, furtos e episódios de pânico. A reportagem desconstrói a narrativa sensacionalista e mapeia os mecanismos de monetização por trás desse novo negócio cultural — o roteiro oculto que converte medo em receita.

O terceiro bloco, "Piste e depistaggi", assinado por Daniele Autieri com Cristiana Mastronicola e Giulia Sabella, retoma fios de investigação que cruzam o Veneto, a Campania e o exterior. Partindo do caso de Valter Lavitola e do controverso Cantiere Navale Vittoria de Adria, a reportagem desenha uma teia de serviços secretos, interesses empresariais, política e personagens próximos a clãs, que por meses figuraram entre as pistas da Procura de Roma sobre os atentados a Sigfrido Ranucci. A história chega a tangenciar um imponente castelo no Mar Negro, frequentemente citado na crônica como a suposta residência não oficial de Vladimir Putin — uma geografia simbólica que amplia o alcance das investigações.

Para fechar a noite, Lucina Paternesi, com a colaboração de Cristiana Mastronicola, apresenta "Tartufi senza frontiere", um mergulho no negócio transnacional do tartufo. Da cola usada em lotes iranianos para aumentar volume, até trufas perfuradas com pregos para incrementar o peso, passando por produções balcânicas vendidas como "tartufo bianco d'Alba" em restaurantes estrelados: a reportagem expõe contaminações acima dos limites europeus, cadeias de intermediação que triplicam preços e uma rastreabilidade que parece cada vez mais um miragem. Do mercado local ao circuito internacional, o episódio busca reconstituir o caminho desses produtos e denunciar as práticas que tornam o luxo gastronômico em febre especulativa.

Esta estreia de Report funciona como um refrão crítico do presente: cada investigação é um fragmento de roteiro que revela relações entre consumo, medo e poder. Como observadora cultural, não vejo apenas escândalos — vejo pistas sobre quem somos e o que valorizamos, e um chamado para repensar sistemas que normalizam a opacidade e o lucro sobre a integridade.

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