Riccardo Iacona e o retorno de PresaDiretta na Rai3: o poder do racconto lungo contra a polarização
Riccardo Iacona volta à Rai3 com PresaDiretta: defesa do relato longo contra a polarização e episódios sobre clima, energia e democracia digital.
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Riccardo Iacona e o retorno de PresaDiretta na Rai3: o poder do racconto lungo contra a polarização
Por Chiara Lombardi — Na véspera da estreia da 18ª temporada de PresaDiretta, Riccardo Iacona volta a ocupar a primeira serata da Rai3 dominando não apenas a pauta, mas o debate sobre o papel do jornalismo de investigação na construção da memória coletiva. O programa, que estreia no domingo 13 de setembro, chega com um formato que se recusa à superficialidade — um verdadeiro espelho do nosso tempo que privilegia o aprofundamento e o contexto.
Em entrevista à Espresso Italia, Iacona deixou claro seu cansaço com narrativas simplistas: "Estou cansado dessa ideia de que a Rai é apenas um lugar de censura" — e reafirma a missão do programa de oferecer um contraponto à lógica do choque e do imediatismo. "O importante é que o programa volte no ar", diz, afastando rumores sobre uma possível ida para a apresentação de outro famoso programa de inquérito. "Essa hipótese nunca foi praticável".
A nova temporada tem sete episódios nesta fase (outras sete estão previstas para fevereiro, segundo Iacona, embora dois episódios tenham sido perdidos por conta de cortes orçamentários, que ele espera recuperar). O arco editorial pretende atravessar o país e colocar em diálogo real as questões que moldam o futuro da Itália e repercutem no plano internacional: energia, clima, economia, saúde, redes sociais, rearmamento, inteligência e democracia digital. Em suas palavras, trata-se de traçar o "roteiro oculto da sociedade" para que as histórias vividas deixem de ser fragmentos e se tornem patrimônios comuns.
O primeiro episódio, que conta inclusive com uma entrevista ao ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, concentra-se nos efeitos da mudança climática: o que implicam, quais políticas necessárias para reduzir as emissões, e o custo da dependência de petróleo e gás. A escolha aponta para uma vocação do programa em devolver complexidade aos temas, usando narrativas longas para afastar a cobertura que se limita ao flash.
Para Iacona, PresaDiretta reivindica o valor do racconto lungo como antídoto à polarização que tanto empobrece o debate público. "A polarização é funcional apenas à redução da democracia", afirma. Ele critica o hábito da imprensa de subastar o tempo informativo a posições conflitantes — o famoso "panino" dos telejornais — em vez de oferecer contexto e profundidade. "Todos nós podemos fazer melhor: não apenas nos longos reportagens, mas em qualquer formato, começando por explicar o contexto antes de dar espaço às vozes opostas".
Essa postura é, para a coluna cultural, um reframe necessário: vivemos numa era em que a velocidade do consumo informativo tende a esvaziar a memória coletiva. O retorno de um programa que aposta no longo formato funciona como resistência — uma espécie de eco cultural que convida a sociedade a olhar, refletir e debater com ferramentas menos reativas e mais analíticas.
Ao afirmar sua vontade de recuperar episódios perdidos pelos cortes, Iacona sublinha também a tensão entre imprensa e economia: narrativas robustas custam recursos, mas são essenciais para que o público não se contente com versões fragmentadas da realidade. Em suma, Riccardo Iacona propõe que a mídia volte a ser palco de conversas que não se extinguem ao final do noticiário, mas que permanecem como mapa para entender o presente.
Na metáfora do cinema, PresaDiretta quer ser a câmera que permanece mais tempo na cena, permitindo que se percebam nuances e contradições que o zoom rápido jamais captaria. É um convite: ver o país com calma, recuperar a complexidade e, no processo, proteger a democracia contra os efeitos corrosivos da polarização.

