Sanremo 2027: De Martino revoluciona o festival — voto online via RaiPlay, 24 Big e proibição de IA nas canções

Sanremo 2027: voto online via RaiPlay, 24 Big, proibição da IA na composição e Serata Performance que decide vaga para o Eurovision.

Sanremo 2027: De Martino revoluciona o festival — voto online via RaiPlay, 24 Big e proibição de IA nas canções

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Sanremo 2027: De Martino revoluciona o festival — voto online via RaiPlay, 24 Big e proibição de IA nas canções

Por Chiara Lombardi — O Sanremo 2027 nasce com um pé no digital e outro na tradição artesanal da canção. O novo regulamento, apresentado em Milão por Stefano De Martino e pelo vicediretor de Intrattenimento Prime Time Rai, Claudio Fasulo, redesenha a competição: entrada do voto online via RaiPlay, limite à utilização de inteligência artificial na escrita das músicas, redução dos concorrentes e uma noite decisiva para o Eurovision.

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Entre as mudanças mais visíveis está a diminuição do número de concorrentes: serão 24 artistas – os chamados 24 Big – em vez dos 30 das edições recentes. Todos eles subirão ao palco em todas as cinco noites do festival, garantindo que cada canção seja ouvida várias vezes ao longo da competição. A quinta-feira ficará reservada para as covers, com convidados e duetos que funcionarão como pequenos espelhos do passado e do presente musical.

O voto online representa a mudança digital mais significativa. Pela primeira vez, a votação gratuita integrará a plataforma RaiPlay, onde o público deverá se registrar com email e número de telefone em um sistema certificado. Cada usuário poderá expressar até três votos; esses votos não substituirão o tradicional televoto, mas serão somados a ele no cálculo final para cada artista. As percentuais de peso entre as modalidades ainda estão sendo definidas, segundo De Martino, que enfatizou a busca por equilíbrio: a intenção é que “nenhuma das duas formas de voto seja um handicap, mas sim um valor acrescentado”.

A digitalização vai além do processo de escolha: o RaiPlay será também o ponto de acesso para conteúdos adicionais relacionados ao festival, incluindo os textos das músicas. É uma arquitetura de participação pensada para atrair plateias mais jovens e ampliar a audiência, um reframe da realidade do festival que dialoga com práticas globais de engajamento cultural.

Outro pilar do novo regulamento é a clara posição sobre tecnologia criativa: está proibido utilizar inteligência artificial na composição dos textos das canções. O autotune não é banido por completo, mas só poderá ser usado “ao serviço da canção”, evitando que a tecnologia se torne o centro da expressão musical. Trata-se de um gesto curatorial — quase uma curadoria ética — que coloca a autoria humana no coração do festival.

Na estrutura das votações, o calendário das noites e o papel das diferentes formações de júri foram redesenhados. A cada noite haverá uma combinação distinta de votações, com participação de jurados populares, imprensa, rádio e outras instâncias — e a sexta-feira, marcada como a Serata Performance em 19 de fevereiro de 2027, terá papel decisivo ao atribuir o passaporte para o Eurovision Song Contest. O regulamento já divulgado é o primeiro rascunho público dessa nova direção artística, que tenta conciliar a força do evento ao vivo com as oportunidades da era digital.

O movimento de De Martino parece ler o festival como um espelho do nosso tempo: a música permanece uma manufatura humana, mas o palco e as formas de participação evoluem. O resultado promete ser um Sanremo que busca ampliar sua relevância cultural, preservando a identidade sentimental do repertório italiano e ao mesmo tempo experimentando novos modos de audiência e interação.

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