Moda italiana perde 10% do faturamento; Carlo Capasa alerta que o Made in Italy está sob ataque
Capasa avisa: moda italiana perdeu 10% do faturamento. Geopolítica, dazi e ultra fast fashion ameaçam o Made in Italy; Milão reage com criatividade.
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Moda italiana perde 10% do faturamento; Carlo Capasa alerta que o Made in Italy está sob ataque
Por Stella Ferrari, para Espresso Italia
O setor da moda italiano sofreu um impacto relevante nos últimos três anos: o faturamento caiu de pouco mais de €100 bilhões para cerca de €92-93 bilhões, uma retração aproximada de 10%. Em entrevista ao formato ADNFinance, gravado em Milão, o presidente da Camera Nazionale della Moda Italiana, Carlo Capasa, soou o alarme sobre as pressões que ameaçam o coração do Made in Italy.
Segundo Capasa, a combinação de guerras regionais, tensões geopolíticas, a polarização econômico-comercial entre China e Estados Unidos, os dazi aplicados por mercados importantes e o abrandamento do consumo na China explicam uma parte expressiva da perda. "A moda vive bem quando há paz e mercados abertos", afirmou. "Hoje há blocos contrapostos, tarifas e uma menor aceleração econômica chinesa: o resultado foi uma queda de cerca de 10% do nosso faturamento, que é muito para um setor de alta performance".
Além desses fatores, Capasa chamou atenção para um desafio regulatório e competitivo adicional: a onda de ultra fast fashion. "Um bilhão de pacotes com valor abaixo de 150 euros chegou à Itália sem os mesmos controles impostos às nossas empresas", disse, ressaltando que essa assimetria de regras distorce a competição e pressiona margens e qualidade, fundamentais para o prestígio do Made in Italy.
Mesmo diante deste cenário — que exige recalibração de políticas e instrumentos, como se ajusta um motor para recuperar torque — a indústria reagiu. A resposta está na criatividade, na energia e na capacidade de reposicionamento das marcas: precisamente a estratégia sobre a qual a próxima Milano Fashion Week lançará os holofotes.
De 22 a 28 de setembro, Milão receberá mais de 210 desfiles, apresentações e eventos, número que, segundo Capasa, cresce continuamente: "Há muita energia. Em momento de dificuldade a moda responde com criatividade". Entre as iniciativas de destaque está a estreia italiana do Vogue World, um evento que visa celebrar o país, e a abertura do calendário com uma noite especial no Palazzo Reale, ligada à exposição de Dalí. No campo das passarelas, a semana terá Prada abrindo o primeiro dia e Armani fechando o último.
O presidente da Camera Moda também sublinhou que o ataque à moda italiana tem dimensões simbólicas e econômicas: "Somos líderes mundiais na produção e distribuição de moda de alta qualidade e isso atrai interesse e competição. Atacar a moda italiana significa atacar valores e um sistema produtivo único". É uma declaração que pauta a defesa de controles comerciais equilibrados e de políticas públicas capazes de manter o ecossistema competitivo, sem perder a refinada engenharia cultural e industrial que sustenta o setor.
Do ponto de vista macro, a situação exige instrumentos de política calibrados — freios fiscais onde houver aquecimento excessivo, incentivos onde a cadeia produtiva precise de reequilíbrio e uma coordenação internacional que reduza assimetrias. A moda italiana precisa ao mesmo tempo proteger sua integridade e acelerar a internacionalização com inteligência, como um carro de alta engenharia que ajusta suspensão e transmissão conforme o traçado.
Em resumo, apesar da perda de cerca de 10% no faturamento e das pressões externas, o cenário não é de recuo inerte: é de recalibração estratégica. A Milano Fashion Week surge como palco para demonstrar que inovação, qualidade e design continuam sendo o motor que pode recuperar velocidade e consolidar o valor do Made in Italy no mercado global.

