Sugar tax trava mais de €1 bilhão em investimentos, alerta Assobibe
Assobibe alerta que a Sugar tax trava mais de €1 bilhão em investimentos e pode elevar 28% o custo por litro, reduzindo volumes e empregos.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Sugar tax trava mais de €1 bilhão em investimentos, alerta Assobibe
Por Stella Ferrari — Em debate promovido em Roma pela associação de Confindustria que representa os produtores de bebidas não alcoólicas, o presidente da Assobibe, Giangiacomo Pierini, fez um diagnóstico preciso e firme: a Sugar tax é uma medida que há sete anos está pronta para entrar em vigor, mas sucessivamente adiada por governos, inclusive aquele que a introduziu em 2019, demonstrando sua inutilidade e os riscos que impõe ao setor.
Segundo Pierini, a simples incerteza regulatória já tem efeitos tangíveis: mais de 1 bilhão de euros permanecem hoje bloqueados nas contas das empresas do setor. Com essa retenção de capital, investimentos planejados em novas linhas de produção, ampliações de instalações e desenvolvimento de produtos ficam suspensos — um freio direto à inovação e à geração de empregos.
“É um bilhão de euros que poderia se transformar em novos equipamentos, em produtos competitivos e em postos de trabalho. Por isso pedimos a cancellation da medida”, afirmou Pierini no encontro que reuniu instituições, forças políticas e empresas para avaliar os impactos econômicos e sociais da aplicação da Sugar tax, prevista para início de 2027.
O presidente da Assobibe ressaltou também a magnitude do encargo: a introdução da taxa implicaria um acréscimo imediato da carga fiscal equivalente a 28% por litro de bebida. Numa indústria já pressionada por custos elevados de energia, matérias‑primas, embalagens e transporte, é pouco crível que esse aumento seja absorvido pelas empresas sem repasse ao preço final.
Na calibragem de impactos, Pierini citou uma estimativa de queda de volumes da ordem de 16%. Essa retração não significa apenas menor faturamento: traduz‑se em menos compras de insumos italianos — da fruta ao packaging — e, consequentemente, em efeitos negativos sobre o emprego e sobre a cadeia produtiva nacional. Em termos de motor da economia, são os fornecedores locais que sentem a perda de rotação quando se impõe um freio fiscal mal calibrado.
Do ponto de vista estratégico, a mensagem da indústria é clara e com tom executivo: sem a Sugar tax as empresas estariam prontas a acelerar investimentos e sustentar as vendas, promovendo inovação e crescimento. A urgência do pedido de cancelamento tem o fundamento pragmático de preservar liquidez para investimentos que geram produtividade e empregos, em vez de alimentar uma arrecadação que, na visão do setor, gera distorções e retrocessos.
Como estrategista de mercados, observo que a discussão exige uma leitura macro: medidas tributárias que atuam como freios fiscais devem ser avaliadas não apenas pelo efeito arrecadatório, mas pela interação com custos industriais e pela capacidade de o mercado absorver aumentos sem perda de volume. A calibragem de políticas exige precisão de engenharia — senão, corre‑se o risco de reduzir a potência do motor da economia num momento em que a aceleração de tendências positivas ainda é frágil.
Em síntese, a indústria de bebidas pede cessar a incerteza e a eliminação de um imposto que, segundo seus representantes, mais travaria investimentos do que promoveria benefícios sociais. O apelo da Assobibe chega com a autoridade de quem observa, com números em mãos, o custo real das decisões fiscais sobre competitividade e emprego.

