Transporte aéreo: mais de 300 milhões de passageiros até 2035; tecnologia é decisiva na gestão de crises
Mais de 300 milhões de passageiros até 2035: tecnologia e atuação humana são chave para resiliência e qualidade no transporte aéreo.
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Transporte aéreo: mais de 300 milhões de passageiros até 2035; tecnologia é decisiva na gestão de crises
O crescimento projetado do tráfego aéreo no sistema italiano — acima de 300 milhões de passageiros até 2035 — representa um horizonte promissor, porém carrega consigo desafios operacionais consideráveis. Volumes muito superiores exigirão que processos, infraestruturas e políticas se alinhem com rapidez, sob pena de que qualquer ponto de descontinuidade gere efeitos em cadeia sobre toda a cadeia de valor aeroportuária.
Em entrevista à Espresso Italia, os co-CEOs da Value Group, Thomas Sergnese e Daniele Bocchieri, sublinharam que a expansão deve ser acompanhada por rigor na qualidade do atendimento e na aplicação dos direitos dos passageiros. "A verdadeira tarefa é construir um sistema mais resiliente, capaz não apenas de transportar mais pessoas, mas de manter elevados padrões de serviço mesmo quando algo foge ao planejamento", afirmam.
A empresa, fundada em Milão em 2001 e especializada na gestão de irregularidades aeronáuticas, opera cotidianamente nos aeroportos em estreita coordenação com companhias aéreas e viajantes. Suas atividades cobrem desde o alojamento e transporte até refeições e suporte em picos de criticidade. "Em situações de disruption o tempo é essencial — um passageiro que perde conexão ou sofre cancelamento precisa de informação rápida e de uma solução concreta", dizem Sergnese e Bocchieri.
Segundo os executivos, a tecnologia hoje permite antecipar fluxos: identificar passageiros afetados, atribuir automaticamente hotéis e transportes, e comunicar alternativas diretamente no smartphone. Esse movimento não só acelera a resposta, como viabiliza a diferenciação do atendimento conforme o perfil do passageiro, ofertando níveis de serviço dedicados à clientela premium.
O futuro, na visão deles, é uma gestão cada vez mais preditiva e personalizada. Mas há uma ressalva estratégica: automação não equivale a eliminação do contato humano. "Automatizar é utilizar tecnologia para os processos que ganham eficiência; é permitir que as equipes se concentrem nas situações em que experiência, decisão rápida e empatia são determinantes", explicam.
Esse modelo híbrido — uma calibragem fina entre máquinas e pessoas — rende melhores resultados especialmente em episódios excepcionais. Sergnese e Bocchieri citam, como casos recentes, a emergência provocada pela erupção do Etna e a interrupção do espaço aéreo britânico em 8 de setembro: cenários onde a responsividade tecnológica aliada ao suporte humano reduziu impactos e protegeu passageiros.
Para o setor aeroportuário e para o "motor da economia" que é o transporte aéreo, a mensagem é clara: investir em tecnologia é acelerar a capacidade operacional, mas o desenho de políticas e o treino de equipes continuarão sendo os freios e o sistema de direção que garantem segurança e qualidade. A calibragem entre automação e presença humana será a peça-chave para transformar crescimento volumétrico em performance sustentável.
Em suma, a próxima década exige um redesenho estratégico que combine inovação, governança e foco no passageiro. Só assim o setor conseguirá transformar a previsão de mais de 300 milhões de viajantes em uma vantagem competitiva, sem sacrificar direitos e padrões de serviço.

