Trieste celebra 50 anos do terremoto do Friuli em congresso dos engenheiros, diz Basilisco
Trieste recorda 50 anos do terremoto do Friuli no congresso dos engenheiros; Basilisco destaca lições para reconstrução e evolução da Proteção Civil.
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Trieste celebra 50 anos do terremoto do Friuli em congresso dos engenheiros, diz Basilisco
Por Stella Ferrari
Ao abrir o Congresso nacional dos engenheiros, Giovanni Basilisco, presidente da Ordem dos Engenheiros de Trieste, ressaltou que o encontro irá lembrar os 50 anos do terremoto do Friuli e a subsequente reconstrução que moldou práticas e políticas públicas. “Daquela experiência nasceu um modelo de intervenção que contribuiu para a evolução da Proteção Civil e evidenciou o valor da colaboração entre instituições, técnicos e comunidades locais”, afirmou Basilisco, com a clareza de quem conhece o motor das decisões públicas e a necessidade de calibragem entre técnica e responsabilidade social.
Ao traçar um breve percurso histórico de Trieste, Basilisco lembrou que a cidade é, por natureza, uma fronteira: um ponto de encontro entre mundos diversos onde o intercâmbio gera conhecimento — e impõe deveres. Como estrategista, enfatizou que essa condição de porto e encruzilhada cultural confere à cidade a legitimidade para sediar uma edição cujo tema é “Novas fronteiras, novas responsabilidades” ("Nuove frontiere, nuove responsabilità").
“Pesquisa, porto, indústria naval e abertura europeia fazem de Trieste o lugar ideal para este debate”, disse o presidente, destacando a sinergia entre setores que atuam como componentes de um motor econômico integrado: cada peça — universidade, setor produtivo, governação — deve estar sincronizada para garantir performance e resiliência. A lição da reconstrução do Friuli, segundo Basilisco, é que a engenharia não opera isolada; ela precisa de um projeto institucional que combine técnica, governança e participação comunitária.
Na minha leitura, enquanto economista com foco em alta performance, encontro nessa narrativa elementos cruciais para políticas públicas eficientes: a reconstrução pós-catástrofe atuou como um exercício de design de políticas, em que a coordenação entre atores foi tão importante quanto as soluções técnicas aplicadas. Essa experiência transformadora também funcionou como laboratório para a evolução da Proteção Civil, aperfeiçoando procedimentos e protocolos que hoje são referência.
O Congresso, portanto, terá uma dimensão dupla: reconstituir memórias — um tributo às vítimas e às lições aprendidas — e traduzir essas lições em rumos práticos para o futuro. Em termos econômicos e institucionais, trata-se de assegurar que a cidade e a região tenham seus freios fiscais, mecanismos de contingência e planos estratégicos calibrados para enfrentar choques, sejam naturais ou econômicos.
Ao encerrar, Basilisco reafirmou que a responsabilidade dos engenheiros ultrapassa o cálculo estrutural: envolve compromisso ético, visão estratégica e a capacidade de trabalhar em redes interinstitucionais. Trieste, com sua vocação portuária e científica, oferece o cenário ideal para essa reflexão — uma pista de testes para políticas que combinam técnica e governança, projetadas para acelerar a resiliência coletiva.

