Lucca Comics & Games celebra 60 anos com edição recorde e olhar para a "Legacy"
Lucca Comics & Games celebra 60 anos com edição recorde: tema 'Legacy', mostra interativa, Vault e convidados como Go Nagai e Frank Miller.
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Lucca Comics & Games celebra 60 anos com edição recorde e olhar para a "Legacy"
Em 2026, Lucca Comics & Games alcança uma marca que é, ao mesmo tempo, cronológica e simbólica: sessenta anos de histórias, desenhos e jogos que reverberam além das páginas. De 28 de outubro a 1º de novembro, a cidade toscana volta a se transformar na lente pela qual lemos parte do imaginário pop contemporâneo — e a edição deste ano, com o tema "Legacy", promete ser a mais numerosa e densa até hoje.
São mais de 80 editoras, mais de 400 convidados internacionais e dez pavilhões monográficos, o número mais alto já registrado no festival. Esses dados não são apenas estatística: funcionam como um espelho do alcance que o evento construiu desde a sua origem, em 24 de setembro de 1966. Na curadoria desta edição, o sentido de herança se manifesta menos como um monumento a ser contemplado e mais como um roteiro entregue às próximas gerações.
“Quando uma edição de Lucca Comics & Games começa, existe um instante em que a cidade parece prender a respiração: palácios, praças e as Mura aguardam serem preenchidos por histórias”, afirma Emanuele Vietina, diretor do festival. Este ano, esse instante tem o rosto de uma criança segurando uma lápis — imagem do cartaz criado por Claudio Castellini, que reúne personagens de seis décadas de cartazes e simboliza o ato de passar o testemunho.
Ao centro do cartaz, um imponente super-herói sustenta a figura infantil — a iconografia do Yellow Kid elevando uma lápis ao céu é a metáfora perfeita: a criatividade como herança coletiva. A jovem desenhista Louise Stéphant será a guardiã simbólica desse momento, com a revelação de uma variant cover no Teatro del Giglio, em 28 de outubro.
O coração expositivo será a mostra “Lucca Legacy: a Comics and Games Story”, no segundo andar do Palazzo Guinigi. Não se trata de um arquivo estático: o percurso de nove ambientes foi pensado como uma narrativa interativa que se transforma com a contribuição do público. Na área chamada The Vault, um verdadeiro cofre, visitantes poderão depositar objetos afetivos ligados às suas experiências em Lucca — um gesto que converte memórias privadas em patrimônio comunitário.
O eco desta celebração também chega às telas: o documentário da Rai Cultura, "60 volte Lucca", dirigido e escrito por Enrico Platania, estreia em 27 de outubro na Rai 5 e estará depois disponível na RaiPlay, oferecendo outro ângulo de leitura sobre seis décadas de cultura pop.
Entre os nomes que desenham o programa desta edição, brilham clássicos e vozes contemporâneas: Go Nagai (autor de Mazinga Z, Goldrake e Devilman), que terá uma grande mostra dedicada; Frank Miller, referência do quadrinho americano; e autores como Jonathan Hickman e Tillie Walden — esta última chegando à Itália pela primeira vez. A presença asiática alcança um recorde: 15 autores japoneses e 5 taiwaneses marcam o intercâmbio cultural ampliado desta edição.
Mais do que celebração, a 60ª edição de Lucca Comics & Games aposta em um reframe da memória: não apenas para preservar, mas para reescrever e reintegrar o imaginário em um palco vivo. É o roteiro oculto da sociedade pop sendo reescrito em tempo real, onde cada lápis levantado funciona como promessa e herança.

