Fava (INPS): papel do direito do trabalho é essencial para governar a inteligência artificial

Fava (INPS) defende regras para a IA, responsabilização humana e medidas para proteger contribuições e pensões diante da automação.

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Fava (INPS): papel do direito do trabalho é essencial para governar a inteligência artificial

Por Giulliano Martini — Em seminário da ISSA realizado em Roma, o presidente do INPS, Gabriele Fava, defendeu que o enfrentamento da inteligência artificial exige primeiro e sobretudo um quadro jurídico sólido. Segundo Fava, o cerne da questão não é um atraso do direito, mas a continuidade da mesma pergunta fundadora do direito do trabalho: quem responde pelas decisões que afetam o trabalhador e como essa pessoa pode fazer valer seus direitos.

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Na avaliação do presidente do Instituto, a opacidade e a escala das decisões automatizadas mudam, mas o problema jurídico permanece. "A vigilância humana, se quiser ser real, requer competência, tempo e autoridade para dizer não. Caso contrário não é controle — é apenas uma assinatura ao final de um procedimento", afirmou Fava em tom direto e técnico.

Fava ressaltou a escolha estratégica do INPS: construir regras antes de adquirir ferramentas. "As ferramentas se compram e em poucos meses envelhecem; a capacidade de governá-las permanece", disse. Com esse princípio, o instituto conduz hoje mais de 70 projetos de inteligência artificial, mantendo um princípio inegociável: o algoritmo pode instruir uma prática, mas não pode substituir a norma; a responsabilidade última é humana.

O presidente ainda conectou o avanço da IA a duas outras grandes forças que pressionam os sistemas de seguridade social: o envelhecimento da população e a queda da natalidade. Fava citou o dado de 2025 em que nasceram cerca de 355 mil crianças na Itália, o menor número da série histórica, criando um cenário com menos pessoas entrando no mercado de trabalho e mais saindo.

Do ponto de vista atuarial e contributivo, explicou Fava, há um princípio simples e implacável: os contributi são calculados sobre a remuneração. "O valor que o trabalho produz só entra no sistema se passar pela folha de pagamento". Se a IA complementa o trabalhador, esse valor pode converter-se em salário e aumentar a base contributiva; se substitui horas de trabalho, o valor tende a migrar para a margem da empresa, reduzindo a base da previdência e representando um risco futuro para pensões.

Fava descartou a taxa sobre robôs como instrumento prioritário. "Punir a inovação neste momento empurraria investimentos para onde não se exige nada", afirmou, propondo, em vez disso, um princípio prático: se a inteligência artificial gera valor substituindo trabalho humano, parte desse valor deve permanecer vinculada à segurança social.

Entre medidas defendidas estão: contribuição figurativa durante períodos de requalificação, indennità ligadas à formação e saídas flexibilizadas para quem está próximo da aposentadoria. O presidente lembrou que o INPS já começou iniciativas conjuntas, por exemplo com a Região Piemonte, destinadas a trabalhadores em cassa integrazione que frequentam cursos de formação.

O diagnóstico apresentado é direto e técnico: governar a tecnologia exige regras claras, autoridade supervisionante e mecanismos que preservem o vínculo entre valor produzido e proteção social. Sem isso, alertou Fava, as transformações tecnológicas poderão reduzir a base contributiva e comprometer a sustentabilidade da previdência.

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