Roberta Bruni acusa a Fidal: 'Curam os ricos' — pai pagou 15.000€ pela cirurgia

Roberta Bruni critica a Fidal por falta de suporte médico: pai pagou 15.000€ pela cirurgia após lesão que tirou a atleta dos Europeus.

Roberta Bruni acusa a Fidal: 'Curam os ricos' — pai pagou 15.000€ pela cirurgia

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Roberta Bruni acusa a Fidal: 'Curam os ricos' — pai pagou 15.000€ pela cirurgia

Roberta Bruni, detentora do recorde italiano do salto com vara, usou as redes sociais para expor uma queixa incisiva contra a Fidal depois de um ano marcado por lesões e por uma cirurgia necessária para recuperar sua carreira. Em um longo texto publicado no Instagram, a atleta descreve um percurso de recuperação forçado, decisões médicas e uma sensação de abandono institucional que, para ela, revela falhas estruturais do sistema esportivo italiano.

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Bruni começa relatando um período que define como um 'ano negro': um esforço de reabilitação acelerado em 2025 que lhe permitiu disputar os Mundiais em Tokyo — onde foi finalista — apenas dois ou três meses após sofrer uma fratura no osso sacro. O corpo, entretanto, cobrou seu preço: durante os campeonatos italianos em Florença, a atleta sofreu um distacco parcial do tendão do bíceps femoral, lesão que exigiu intervenção cirúrgica e a impediu de competir nos Europeus em Birmingham.

O ponto central do desabafo de Bruni é a ausência de suporte médico por parte da Fidal. Apesar de integrar a seleção nacional, ela afirma que não fazia parte da faixa restrita de atletas com direito a cobertura em caso de cirurgia. 'Curam os ricos', escreve Bruni, criticando um modelo que parece privilegiar quem já é considerado 'super top' pela federação. Sem o amparo institucional, foi o pai da atleta que arcou com os custos: 15.000 euros para realizar a operação que a devolvesse à pista.

Bruni também revela ter sido excluída da equipe nacional para o próximo ciclo olímpico que culmina em Los Angeles 2028, sob a justificativa de não atender a critérios de acesso que se tornaram inviáveis após a lesão sofrida nos nacionais — competições que ela afirma ter sempre respeitado e vencido por 12 vezes. A atleta recorre a seu histórico: cinco finais da Diamond League, presenças em finais mundiais, olímpicas e europeias e um recorde nacional. Ainda assim, diz não entender por que o investimento federativo existe nos dois primeiros anos de um ciclo e depois se interrompe, deixando atletas operados sem suporte nos anos decisivos.

Na sua análise, o mecanismo AEC (sistema de apoio econômico e competitivo) funciona como um prêmio por resultados já alcançados e não como um projeto de longo prazo para o desenvolvimento e a proteção de trajetórias esportivas. 'Se você obtém resultados, está dentro. Se se lesiona e não os obtém, está fora', sintetiza Bruni, transformando um relato pessoal em crítica sistêmica.

Como repórter e analista que observa o esporte enquanto estrutura social, reconheço neste caso uma tensão recorrente: a contradição entre políticas públicas e práticas federativas que frequentemente confundem investimento com retorno imediato. O caso de Roberta Bruni lança luz sobre uma pergunta mais ampla para o esporte italiano — e europeu: que tipo de proteção queremos oferecer a quem carrega a memória e a competitividade de uma nação?

O desabafo de Bruni não é apenas uma queixa individual, mas um apelo a treinadores, dirigentes e famílias: pensar um sistema que não trate a recuperação e o cuidado como custo supérfluo, mas como parte de um projeto de formação e manutenção de talentos. Para além das emoções do momento, a denúncia exige resposta institucional e debate público sobre prioridades e limites de um modelo que privilegia resultados imediatos em detrimento de percursos sustentáveis.

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