Eisenkot recebe de Herzog mandato para formar governo de emergência: apelo à unidade nacional
Herzog nomeia Eisenkot para formar governo de emergência; apelo à unidade e negociações com Likud, Smotrich e Lieberman em destaque.
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Eisenkot recebe de Herzog mandato para formar governo de emergência: apelo à unidade nacional
Por Marco Severini — Em um gesto que remodela as próximas jogadas no tabuleiro político israelense, o presidente Isaac Herzog conferiu oficialmente, no domingo 8 de novembro, ao líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, o mandato para tentar formar o próximo governo. A cerimônia na residência presidencial foi marcada por um apelo institucional à conciliação e à responsabilidade, refletindo a gravidade das crises simultâneas que o país enfrenta.
Durante a cerimônia, Herzog sublinhou a exigência de que o novo executivo sirva “a toda a nação”: “Espero que façam tudo o que estiver ao vosso alcance para constituir um governo ao serviço da nação inteira”, disse o presidente, pedindo unidade, diálogo e reconciliação entre as diversas componentes do país. Foi um convite formal para que a arte da governança suplantasse as divisões partidárias num momento de emergência.
Respondendo ao chamado, Eisenkot abriu à cooperação com o Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e com o Partido Sionista Religioso do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, afirmando não ver “motivo para que não apoiem um governo sob minha liderança” caso se confirme o compromisso com a unidade que lhes foi manifestado ao presidente. Amanhã está previsto o encontro com o líder do Yisrael Beytenu, Avigdor Lieberman, numa tentativa de superar divergências que ainda travam a formação do novo executivo.
Ex-chefe do Estado‑Maior, Eisenkot apresentou-se com um forte sentido de dever e responsabilidade, propondo a construção de um “governo nacional de emergência” e defendendo iniciativas políticas “criativas e extraordinárias” para evitar a repetição de ciclos eleitorais que, na sua visão, prejudicariam a capacidade de resposta do país. “Israel não pode perder tempo nem repetir intermináveis voltas eleitorais”, afirmou, em linguagem direta e pragmática.
O diagnóstico traçado por Eisenkot não é retórico: referiu-se aos frontes de guerra ainda abertos, a objetivos militares por concretizar e a uma “devastadora crise diplomática” que levou até alguns dos mais próximos aliados a reavaliar suas relações com Israel. No plano interno, alertou para uma crescente desconfiança nas instituições e para tentativas de delegitimar a própria democracia, posicionando o país num dos seus momentos de maior vulnerabilidade.
Do ponto de vista estratégico, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro: a nomeação de um ex‑chefe militar com perfil de mediador pretende estabilizar frentes simultâneas — militar, diplomática e institucional — antes que fissuras se ampliem. A manobra de Eisenkot combina a legitimidade das Forças de Defesa com uma oferta política ampla, numa tentativa de construir alicerces de governabilidade num terreno de tectônica de poder volátil.
Persistem, contudo, questões essenciais: até que ponto as formações de direita, especialmente sob a liderança de Smotrich e de Netanyahu, aceitarão limitar agendas partidárias em favor de um pacto de emergência? O encontro com Lieberman será determinante para avaliar se há margem para compromissos ou se as divergências irão empurrar Israel de novo para uma sequência de eleições.
Em suma, a missão atribuída a Eisenkot é tanto técnica quanto política: costurar uma maioria funcional e restaurar ao mesmo tempo a credibilidade externa e a coesão interna. O resultado dessas negociações definirá não apenas o desenho imediato do governo, mas também a resiliência das instituições democráticas perante pressões externas e internas. No tabuleiro regional, cada movimento aqui repercute em eixos de influência que vão muito além das fronteiras visíveis.

