Nova York decide encerrar passeio de carroças em Central Park até junho de 2028: fim de um ícone em nome do bem-estar animal

Nova York aprova fim das carroças em Central Park até junho de 2028; medida mira bem-estar animal e inclui plano para recolocação dos cocheiros.

Nova York decide encerrar passeio de carroças em Central Park até junho de 2028: fim de um ícone em nome do bem-estar animal

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Nova York decide encerrar passeio de carroças em Central Park até junho de 2028: fim de um ícone em nome do bem-estar animal

Por Aurora Bellini — Em um capítulo que ilumina novos caminhos para a convivência entre cidade e natureza, o Conselho Municipal de Nova York aprovou uma lei que determina o fim das carroças puxadas por cavalos em Central Park, com vigência prevista para junho de 2028. A votação terminou com 40 votos a favor e 7 contrários, e a medida — conhecida como Intro 943 ou a "Lei de Romanch" — aguarda apenas a assinatura do prefeito Zohran Mamdani para se tornar oficial.

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Por mais de 150 anos, as carroças foram parte da imagem romântica da cidade, cenário de filmes e memórias coletivas. Ainda assim, a proposta de proibição é fruto de um debate crescente sobre o bem-estar dos animais e a segurança pública. Nos últimos meses, tragédias e incidentes deram peso à discussão: em junho, o jovem turista indiano Romanach Mahajan morreu após ser lançado ao chão por um cavalo assustado, e desde maio de 2025 foram relatados pelo menos oito acidentes envolvendo carroças dentro ou nas imediações do parque.

A previsão de transição foi pensada para conter impactos sociais e profissionais. A presidente do conselho, Julie Menin, explicou à imprensa que o período até 2028 busca dar tempo para que os cerca de 150 cocheiros ainda em atividade encontrem alternativas viáveis. A lei determina que, até abril, a Prefeitura elabore um plano com iniciativas de orientação profissional e oportunidades de recolocação nos setores de transporte público, táxis e hospitalidade. Estuda-se também a possibilidade de formas de compensação financeira para os trabalhadores afetados.

Mesmo com o plano de transição, a decisão não foi recebida sem críticas. Sindicatos que representam os trabalhadores do setor reclamaram da falta de detalhes concretos sobre o processo de realocação. O vereador James Gennaro chegou a propor um emendamento que adicionaria mais 18 meses ao cronograma de encerramento — proposta que foi rejeitada pela maioria. Em comunicado à Espresso Italia, o presidente do sindicato dos trabalhadores dos transportes, John Samuelsen, classificou a medida como um "desastre" e argumentou que a lei violaria aspectos constitucionais e não ofereceria garantias claras aos condutores e proprietários.

O debate reverbera além da política imediata: trata-se de um movimento para alinhar tradições urbanas a padrões contemporâneos de ética e cuidado. A cidade precisa semear soluções que acolham tanto o imperativo de proteger animais vulneráveis quanto a dignidade de quem ganha a vida com essas atividades. A Secretaria Municipal tem, portanto, o desafio de tecer um programa que combine formação, oportunidades práticas e, quando pertinente, indenização.

Ao olhar para frente, essa medida representa um esforço de renovação — uma pequena renovação cultural que busca um horizonte límpido, onde o legado da cidade se reconstrói sem apagar memórias. Se bem conduzida, a transição pode iluminar caminhos de requalificação profissional e inclusão, transformando um fim simbólico em ponto de partida para novidades sociais tangíveis.

Enquanto a assinatura do prefeito Mamdani é aguardada, a discussão pública permanece acesa: como proteger o bem-estar animal sem deixar à margem quem depende dessa atividade? A resposta exigirá políticas claras, recursos e sensibilidade — e a cidade terá até junho de 2028 para tramar esse novo capítulo com humanidade e rigor.

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