Marisa Laurito e os dois Pieros: vida, resgates e laços que iluminam novos caminhos
Marisa Laurito conta sua vida com Piero Dog e Piero Man: resgates, viagens e o amor por cães grandes que transformam ruas em lares.
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Marisa Laurito e os dois Pieros: vida, resgates e laços que iluminam novos caminhos
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
A atriz e apresentadora Marisa Laurito mantém uma relação que é ao mesmo tempo companheirismo e reverência pela vida: ao seu lado está um cão mestiço, um semelhante a pastor ucraniano branco que ela batizou de Piero Dog. «Não é a minha sombra, sou eu a dele», resume Marisa com aquele tom sereno de quem entende que cuidar é também receber luz.
Sempre atenta aos relatos de animais abandonados, Marisa encontrou Piero Dog quando ele ainda era um filhote — junto da irmã — num anúncio de uma associação que resgata animais. Eles foram vistos em Noto, e foi ali que a atriz decidiu acolhê-lo. A escolha do nome tem também um afeto compartilhado: o companheiro humano, conhecido como Piero Man (Piero Perdini), sugeriu batizá-lo assim porque, segundo ele, «um Piero reconheceria outro Piero».
Marisa descreve o cão como um observador nato das ruas: um verdadeiro people watcher que se encanta ao acompanhar a vida humana do alto. «Somos dois espíritos livres e irruentes», conta; «às vezes me pergunto se o Piero não preferiria ter ficado na rua onde foi encontrado, em Noto». Ainda assim, o laço entre eles é indiscutível: compartilham meses inteiros de viagens, ensaios e turnês, e hoje ela privilegia deslocamentos de carro para que o companheiro possa acompanhá-la com mais conforto.
Piero Dog pesa cerca de 30 quilos — prova de que, para Marisa, o tamanho não é obstáculo, mas sim uma forma de presença afetiva. Ela admite já ter tido cães pequenos, sobretudo quando os resgatava nas ruas: «quando eu encontro um animal abandonado, não fico marcando detalhes, eu levo. Mas tenho um carinho especial pelos grandes: são magníficos, fortes e têm uma humanidade extraordinária. Talvez por isso transmitam amor com tanta generosidade».
Ao longo da vida, Marisa reuniu vários resgates espalhados pela Itália: nomes e memórias que iluminam sua trajetória afetiva — Stellina, vinda da Puglia; Maria, encontrada em Santa Maria, na Sardenha; e Giovanni, que viveu ao seu lado por 14 anos e deixou uma saudade profunda quando partiu. A atriz confessa que sempre acolheu trovatelli e cães de rua, e que em duas ocasiões confiou alguns desses animais à cantora Iva Zanicchi, fortalecendo uma rede de cuidado entre figuras públicas que semeiam proteção.
Marisa não romantiza a dureza do abandono; ao contrário, sua mensagem é prática e luminosa: resgatar é um compromisso, um modo de tecer laços e cultivar valores que atravessam gerações. A relação com Piero Man e Piero Dog revela um cotidiano em que afeto e responsabilidade caminham lado a lado — um horizonte límpido onde o cuidado transforma ruas em lares e histórias solitárias em repertórios de ternura.
Para quem acompanha a série de entrevistas de VITA A 6 ZAMPE no portal da Espresso Italia, a história de Marisa é um lembrete de que pequenas decisões de compaixão podem iluminar muitos caminhos e deixar um legado de gentileza no mundo animal e humano.

