Conte pede primárias urgentes e abertas no campo largo: “Não restrinjam a escolha”

Conte defende primárias rápidas e abertas no campo largo para enfrentar Meloni e ouvir a sociedade; critica resposta do governo às manifestações jovens.

Conte pede primárias urgentes e abertas no campo largo: “Não restrinjam a escolha”

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Conte pede primárias urgentes e abertas no campo largo: “Não restrinjam a escolha”

Em entrevista ao programa Tagadà na La7, o líder do Movimento 5 Stelle, Giuseppe Conte, traçou a sua visão para um campo largo que, segundo ele, não pode limitar a disputa por liderança a apenas dois nomes. Conte defende primárias realizadas em prazo curto e com mais de dois candidatos para representar a coalizão, argumentando que a demora atual dá um “grande vantagem a Meloni”.

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“Confio que agora todos, responsavelmente, se sentem à mesa, que se feche o programa e que, se for preciso encontrar um candidato que represente a coalizão, se faça isso — mas logo”, disse Conte, apontando o risco de perda de espaço político por causa da indefinição. Para o ex-primeiro-ministro, restringir a escolha ao duel com Elly Schlein, secretária do PD, seria um erro: “Acho justo que os cidadãos escolham, e que tenham a possibilidade de escolher entre vários candidatos”.

Conte criticou ainda a vantagem comunicativa que governa atualmente no poder: “Meloni fala com uma voz unívoca. Não conversa com as pessoas, mas produz vídeos muito bem feitos, bem construídos”, observou, numa metáfora que remete à “arquitetura” da mensagem pública. Para enfrentar isso, o campo largo precisa, nas palavras do líder, “encontrar uma voz que represente todos”.

O dirigente do Movimento 5 Stelle lembrou o processo interno já concluído pelo partido: um mapeamento dos temas prioritários após ouvir cerca de 17 mil pessoas. “Demorámos porque quisemos ouvir o país”, disse, reclamando que agora é hora de convergir em torno de um programa conjunto.

As recentes manifestações juvenis voltaram a ocupar o discurso de Conte. Segundo ele, os jovens estão “cansados de serem enganados” e de uma perspectiva futura sem garantias, como a falta de um piso pensionário adequado e a entrada tardia no mercado de trabalho. “Eles perceberam que não têm esperança de melhorar em relação aos pais”, afirmou, criticando a resposta do governo: “O governo não os escuta e em troca responde com decretos segurança”.

Ao delinear a sua proposta, Conte sublinhou que os demais nomes que surgirem nas primárias não devem ser vistos como adversários pessoais, mas como parte de uma equipa. “Se começarmos a tratar os outros candidatos como inimigos, partimos mal”, advertiu, defendendo que o processo seja inclusivo e estruturado de forma a consolidar os alicerces da colaboração dentro do campo progressista.

Como repórter que acompanha a intersecção entre decisões de Roma e vida quotidiana, vejo nesta proposta um apelo prático: transformar a discussão interna numa ponte entre o poder e a sociedade, derrubando barreiras burocráticas que atrasam decisões centrais. A urgência apontada por Conte revela também o peso da caneta no calendário político: quem define os prazos modela o terreno de jogo.

Giuseppe Borgo
Espresso Italia — correspondência política e cidadania

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