Di Battista relata cirurgia em Cuba: 'Tive medo de morrer; Meloni me ligou para tranquilizar'
Di Battista relata cirurgia de tumor em Cuba, o medo de morrer, a ligação de Meloni e o início das terapias na Itália.
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Di Battista relata cirurgia em Cuba: 'Tive medo de morrer; Meloni me ligou para tranquilizar'
Por Giuseppe Borgo — Em uma conversa direta e sem rodeios, o ex-deputado e ativista Alessandro Di Battista voltou a narrar os dias em que foi submetido a uma cirurgia de emergência para a retirada de um tumor cerebral em Cuba. Em entrevista ao podcast Vox On Air, ele descreveu o momento como uma experiência em que chegou a temer pela própria vida: "A Cuba eu tive mesmo medo de morrer, de não rever meus filhos", contou.
O relato ganha relevo pela circunstância internacional: o procedimento ocorreu na capital cubana, seguido do retorno à Itália e do início das terapias necessárias. Di Battista confirmou que, após o mal-estar no fim de agosto, foi operado de urgência e que os exames mais recentes mostram sinais positivos. "Os médicos dizem que há todas as cartas em ordem para poder curar", afirmou em sua reaparição na televisão, em programas como Di Martedì e Accordi & Disaccordi.
Entre os episódios que o ex-parlamentar destacou, está a ligação da primeira-ministra: "Me chamou para me tranquilizar", relatou. Segundo Di Battista, Meloni teria comentado que "intervém, resolvemos essa bobagem", referindo-se aos boatos que circulavam dando-o como morto. "Tiraram-me pelo menos essa preocupação", disse, concluindo que isso demonstrou um gesto humano em meio ao turbilhão de notícias e interpretações políticas.
Do ponto de vista clínico, Di Battista se mostrou realista: alterna momentos em que a doença se faz sentir — especialmente ao acordar — e períodos em que leva uma vida normal. "Quando me sinto bem não penso que tenho uma doença", resumiu. Ele explicou que o tipo de tumor apresenta características moleculares que o tornam vulnerável às terapias, e que o prosseguimento do tratamento dependerá da resposta do próprio organismo.
Na dimensão política, a entrevista também foi ocasião para reflexões e críticas. Di Battista falou em "delusão humana e política" em relação a Luigi Di Maio, antigo colega no Movimento 5 Stelle. Ainda assim, reconheceu que, durante a crise do pós-operatório em Cuba, Di Maio ofereceu apoio prático: "Nessa fase ele me ajudou, para mim é água passada", afirmou.
Reconstituindo sua trajetória no Parlamento, Di Battista usou uma metáfora estrutural que recorro com frequência: descreveu os ambientes políticos como espaços "construídos para te separar da realidade" — alicerces e corredores onde a prática legislativa muitas vezes se distancia da vida cotidiana dos cidadãos. Quanto à sua saída do movimento, disse que estava "cansado" e que o ponto de não retorno foi o apoio do grupo ao governo de Mario Draghi.
Como repórter que acompanha a arquitetura das decisões públicas, observo que o episódio reúne camadas distintas: o drama pessoal de um paciente em recuperação, a dimensão diplomática e logística de um tratamento no exterior — uma ponte entre nações e sistemas de saúde — e, por fim, o jogo de solidaridades e dissidências dentro do tabuleiro político. A recuperação médica é a prioridade, mas os gestos políticos — do telefonema de Meloni ao amparo de Di Maio — também deixam marcas na percepção pública sobre como se constroem ou se derrubam as pontes de confiança em tempos de crise.
Di Battista segue em tratamento e mantém uma postura reservada quanto aos desdobramentos futuros, confiando nos médicos e nas terapias. Como repórter e cidadão, registrarei os próximos passos: o peso da caneta e o curso das decisões públicas têm impacto direto na vida real das pessoas — e este caso é prova disso.

