Beppe Grillo nega poder para fundar partido e diz que ChatGPT escreveu seu manifesto; filho Ciro estuda para provar inocência

Grillo diz não ter poderes para fundar partido, revela que ChatGPT escreveu seu manifesto e fala sobre o filho Ciro que estuda para provar sua inocência.

Beppe Grillo nega poder para fundar partido e diz que ChatGPT escreveu seu manifesto; filho Ciro estuda para provar inocência

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Beppe Grillo nega poder para fundar partido e diz que ChatGPT escreveu seu manifesto; filho Ciro estuda para provar inocência

Beppe Grillo afirmou em conversa com Fedez no Pulp Podcast que não tem "poder e faculdades" para fundar e organizar um novo partido político. "Como faço eu a fundar um partido, a organizá-lo? Não tenho o poder, as faculdades de farlo, mi dispiace", disse o fundador do Movimento 5 Stelle, ressaltando que pode oferecer apenas inputs e ideias — especialmente sobre meio ambiente e religião — mas não a organização partidária.

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Durante o diálogo, Grillo revelou que o ChatGPT ajudou a redigir o seu manifesto. Segundo ele, a inteligência artificial e o algoritmo aprendem e moldam a democracia, enquanto instituições ficaram presas a estruturas do "Paleolítico" frente a uma tecnologia que transforma rapidamente o presente. "O futuro é certo, o passado não, e então nos atiramos no fascismo, no nacionalismo... a pátria, são doenças infantis", declarou, usando uma metáfora dura para advertir sobre retrocessos ideológicos.

Sobre o eleitorado alemão, Grillo comentou a votação na Saxônia (Sassonia) e enxergou ali uma divisão entre centro histórico e periferia: "Nos centros históricos da Saxônia manteve-se a social-democracia, é a periferia que votou contra, porque são duas visões do estrangeiro completamente diferentes. O estrangeiro não existe, existe o pobre. A periferia se coloca em concorrência, para o centro tem um valor acrescentado". A análise busca explicar, do ponto de vista sociológico, os deslocamentos eleitorais e como eles incidem nas políticas migratórias e sociais.

Em tom crítico, Grillo também comentou figuras públicas: sobre Vannacci, afirmou que "o futuro dele são as perguntas estúpidas, com um sutil ódio por baixo, e ele responde com um italiano correto..." — uma observação que mistura avaliação política e cultural.

Não deixou de lado a dimensão pessoal: disse que participou do podcast porque a família o obrigou e que tem muitos fãs entre o público do programa. Falou, com apreço e proteção, do filho Ciro, que atravessa um momento difícil. Grillo lembrou que Ciro se formou com "110 e lode", construiu uma família, tem uma filha e uma esposa que ele considera "extraordinária". "Estuda para se tornar advogado penalista e gritar ao mundo um pouco a sua inocência, porque quer estudar e quer se defender também sozinho", contou o pai.

Como repórter que observa as interseções entre as decisões de Roma e a vida cotidiana, vejo nessa fala uma construção dupla: de um lado, a tentativa de colocar a tecnologia como alicerce para repensar a democracia; do outro, a defesa familiar e individual diante do peso da caneta pública. Grillo recusa-se a ser o arquiteto de um novo partido, mas não abre mão de lançar ideias que, em sua visão, podem remodelar a vida coletiva.

Em termos práticos, suas palavras reafirmam dois vetores claros: a aposta na inteligência artificial como ferramenta de diagnóstico social e político, e a insistência em proteger laços pessoais e direitos individuais em tempos de tensão política—uma espécie de ponte entre a esfera pública e os alicerces da vida privada.

Fica o desafio para quem governa: como construir os novos alicerces da lei e da participação sem deixar espaço para as "doenças infantis" da história? A resposta, para cidadãos e políticos, exige mais do que slogans; pede arquitetura institucional à altura dos tempos.

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