Leone XIV em Assisi: “A guerra nunca pode ser feita em nome de Deus”
Em Assisi, Leone XIV reafirma que a guerra não pode ser feita em nome de Deus; encontro reuniu 384 representantes de 53 países por 'Uma paz desarmada'.
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Leone XIV em Assisi: “A guerra nunca pode ser feita em nome de Deus”
Em um mundo marcado por conflitos armados, migrações forçadas, desigualdades crescentes e crises humanitárias, concluiu-se em Assisi o encontro inter-religioso intitulado 'Una pace disarmata e disarmante', realizado entre 25 e 27 de outubro, no quadro do 40.º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz convocada por João Paulo II em 1986. O evento reuniu representantes de diversas tradições religiosas para um diálogo centrado na promoção da paz e do desarmamento.
Ao centro da iniciativa esteve o chamado Espírito de Assis, expressão que continua a orientar o compromisso multirreligioso pela construção de pontes e pela convivência. Participaram 384 delegados provenientes de 53 países, entre líderes religiosos, intelectuais e representantes institucionais. O programa incluiu 24 mesas-redondas e 155 intervenções, abordando temas que vão da paz e do desarmamento à crise climática, democracia e solidariedade.
Os debates dedicaram atenção ampla aos conflitos que marcam o cenário internacional, com foco particular nas guerras no Oriente Médio, na Ucrânia e na Rússia, além das crises persistentes em diferentes países do continente africano. Os participantes assinalaram a necessidade de respostas que integrem esforço humanitário, diplomacia e a ação das comunidades de fé.
A reunião citou as palavras de Leone XIV, pronunciadas no Angelus do último domingo, quando o Pontífice pediu a todos que prosseguissem em oração pela paz. Entre os episódios mencionados no encontro figurou o ataque terrorista ocorrido na última sexta-feira contra fiéis na igreja ortodoxa de São Jorge, no vilarejo de Harmoud, em Karak, na Jordânia, que resultou em mortos e feridos. O Papa declarou estar próximo àquela comunidade e ao país.
Durante os três dias, Hala Al-karib, diretora regional da Strategic Initiative for Women in the Horn of Africa (SIHA Network) e participante do encontro, descreveu o quadro dramático no Sudão. Segundo seu relato — que foi objeto de verificação e cruzamento de dados no encontro —, mais de 250.000 civis morreram desde o início do conflito, há quatro anos. Casas, igrejas, mesquitas e museus têm sido saqueados, e a violência sexual aumentou em frequência e gravidade.
Al-karib alertou que a escalada de violência não se limita ao Sudão, mas tende a se expandir a outras áreas do Corno de África, e solicitou maior envolvimento das instituições religiosas na documentação, denúncia e resposta às violações de direitos humanos. Em sua intervenção, ressaltou que uma paz verdadeiramente desarmada deve colocar a pessoa humana no centro: 'Trata-se da humanidade. Trata-se de nossa existência: viver em paz, compartilhar os recursos e proteger nosso ambiente e ecossistemas', afirmou.
O encontro mundial de oração pela paz em Assisi constituiu, para os organizadores e participantes, um momento de reflexão sobre as feridas infligidas ao criado e sobre o sofrimento da humanidade, convocando a observadores e lideranças a olhar o mundo por meio dos fatos concretos. As conclusões apontaram para a necessidade de práticas inter-religiosas que promovam não apenas a retórica pela paz, mas medidas efetivas de desarmamento, proteção dos civis e cooperação humanitária. No balanço final, permaneceu o apelo do Pontífice e das diferentes tradições reunidas: que a guerra não seja jamais legitimada em nome de Deus.

