65% dos italianos consideram problemática a relação com o digital, revela estudo Eurispes
Eurispes: 65,8% dos italianos veem como problemática a relação com o digital; jovens mais afetados e uso noturno influenciando a saúde mental.
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65% dos italianos consideram problemática a relação com o digital, revela estudo Eurispes
Por Alessandro Vittorio Romano — Observando a respiração da cidade e os ritmos íntimos das casas, surge um dado que pede atenção: 65,8% dos italianos avaliam como, em alguma medida, problemática a sua relação com as tecnologias digitais. É o que aponta a investigação do Eurispes sobre o uso do digital e a saúde mental, um retrato que mistura consciência e hesitação.
Os sinais mais agudos de desconforto concentram-se nas faixas etárias mais jovens: entre os 18-24 anos, a sensação de criticidade alcança 41,9%, enquanto entre os 25-34 anos fica em 30,2%. A percepção de problema diminui nas faixas seguintes, até chegar a 28,3% entre os maiores de 64 anos. Esses números contam a história de uma geração que cresce com a tecnologia como horizonte, mas nem sempre encontra mapas para navegar suas sombras.
Curiosamente, a consciência do problema nem sempre se converte em busca de ajuda. Do grupo que considera sua relação com o digital problemática, apenas 44,8% dizem não acreditar necessitar de apoio — o que sugere que a maioria percebe a questão como relevante. Ainda assim, apenas 5% está atualmente em terapia, 15,2% já teve terapia no passado, e 35% chegou a pensar em procurar um profissional, mas não o fez. É como quando sentimos que a paisagem mudou: reconhecemos as nuvens, mas hesitamos em abrir o guarda-chuva.
Entre os hábitos digitais apontados pelo estudo, sobressai o uso próximo ao sono: 81,4% dos entrevistados utilizam dispositivos na hora anterior de dormir pelo menos ocasionalmente, com índices especialmente elevados nos mais jovens, entre os 18-24, onde apenas 1,2% afirma nunca fazê-lo. Esse comportamento, que eu gosto de pensar como pequenas lâmpadas acesas antes do repouso, tem implicações claras sobre o ritmo do corpo e da mente — o tempo interno do corpo precisa de escuridão para descansar.
O telefone permanece no quarto durante a noite para 77,5% dos entrevistados: 23,3% o deixam ligado com notificações ativas, 37,5% em modo silencioso ou "não perturbe" e 16,7% o desligam. Esses números revelam regiões íntimas do cotidiano onde o digital e o descanso se cruzam — nem sempre em harmonia.
O retrato traçado pelo Eurispes relembra que a consciência sobre os riscos do uso excessivo do digital existe, mas que a travessia para a ação — seja ajustando hábitos, buscando apoio profissional ou redesenhando rotinas noturnas — ainda é lenta. Como guia sensível do dia a dia, recomendo olhar para esses sinais como raízes do bem-estar: pequenas mudanças na colheita de hábitos podem reconectar o ritmo pessoal ao pulso da vida.
Se a sua relação com o digital lhe parece problemática, não subestime o poder de um gesto simples: desligar as luzes do ecrã antes de dormir, reservar um período sem dispositivos ou conversar com um profissional quando a sensação de sobrecarga persistir. A cidade respira; nós também podemos aprender a respirar com ela.

