Itália: mais de 3 milhões com distúrbios alimentares; 6% têm menos de 12 anos
Mais de 3 milhões na Itália têm distúrbios alimentares; nova iniciativa leva prevenção às escolas primárias para crianças desde os 12 anos.
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Itália: mais de 3 milhões com distúrbios alimentares; 6% têm menos de 12 anos
Na Itália, mais de 3 milhões de pessoas vivem hoje com um distúrbio alimentar (DCA). Os dados revelam um aumento preocupante no número de casos acompanhados pelos serviços de saúde: de cerca de 680 mil em 2019 para mais de 1,6 milhão atualmente, com aproximadamente 3.800 mortes por ano. Esses transtornos já são a segunda causa de morte entre os adolescentes, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
O fenômeno, como uma semente que germina cedo demais, está avançando para idades cada vez menores: quase 60% dos pacientes têm entre 13 e 25 anos e cerca de 6% dos casos atingem crianças com menos de 12 anos. Diante desse cenário, surge a urgência de intervir precocemente, agindo sobre a prevenção e sobre as raízes socioculturais que alimentam essas dificuldades.
Para enfrentar essa maré, três fundações — Fondazione Andi Ets, Fondazione Giunti e Fondazione Cotarella — anunciaram uma aliança: o projeto "La prevenzione si impara da piccoli", apresentado hoje no Ministero della Salute. A proposta é clara e terna ao mesmo tempo: levar ações de prevenção desde a infância, começando pela escola primária, como se cultivássemos jardins onde brotam hábitos saudáveis.
O plano, que terá início ao longo de 2026, prevê um conjunto integrado de iniciativas — webinars, trilhas didáticas, insertos editoriais e materiais dedicados — além de momentos de formação dirigidos a professores e famílias. A intenção é criar uma consciência coletiva sobre os sinais de alerta, reduzir o estigma e uniformizar a rede de assistência, hoje marcada por grandes desomogeneidades territoriais.
Ao pensar em prevenção, imagino a cidade como uma malha respirante: quando cuidamos do pulso das escolas, inspiramos saúde para toda a comunidade. Não se trata apenas de informação técnica, mas de resgatar uma relação mais gentil com o corpo, com a comida e com o tempo interno de cada criança — um trabalho que pede sensibilidade, continuidade e proximidade.
Os números são contundentes e pedem resposta coordenada. Mais de 3 milhões de vidas afetadas não são apenas estatística: são famílias, territórios e rotinas que precisam de apoio. O novo projeto quer, justamente, transformar escolas em espaços onde se aprende a reconhecer os sinais e a cultivar proteção emocional, como quem planta árvores cuja sombra acolherá futuras estações.
Em termos práticos, a proposta busca também enfrentar a fragmentação dos serviços sanitários, propondo percursos padronizados de prevenção e capacitação. Se a seiva do bem-estar começa cedo, então é ali — nas primeiras idades — que devemos semear práticas e conversas que façam do alimento uma fonte de vida e não de conflito.
Como observador atento à respiração dos dias, vejo nesta iniciativa uma possibilidade de alinhar a paisagem educativa com a saúde pública: políticas que escutem as nuances das famílias, formem profissionais e deem às crianças ferramentas para reconhecer e nomear sensações. Porque prevenir é, antes de tudo, aprender a cuidar juntos — uma colheita de pequenos gestos que pode transformar o outono de muitos em uma primavera de possibilidades.

