Ruído do tráfego aumenta risco de problemas cardíacos, diz estudo do Mass General

Estudo do Mass General liga ruído do tráfego a maior risco cardíaco; exposição acima de 45 dB afeta saúde mesmo com sono regular.

Ruído do tráfego aumenta risco de problemas cardíacos, diz estudo do Mass General

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Ruído do tráfego aumenta risco de problemas cardíacos, diz estudo do Mass General

Por Alessandro Vittorio Romano — Observando a cidade como quem sente a respiração das ruas, vem à tona um alerta que toca o corpo pela narrativa do cotidiano: os ruídos do tráfego podem fazer mal ao coração. Uma pesquisa liderada por cardiologistas do Massachusetts General Hospital e apresentada no congresso da American Heart Association, em Chicago, relaciona a exposição crônica a sons de carros, ônibus, aviões e trens com maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e fatores de risco como hipertensão e colesterol alto.

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O estudo analisou dados do período 2010-2020 de 108.051 adultos inscritos na Massachusetts General Brigham Biobank, com idade média de 57 anos. Para estimar a exposição, os pesquisadores usaram um instrumento que calcula os níveis médios de ruído de transporte ao longo de 24 horas próximos à residência de cada participante. O resultado mostrou que cerca de 33% dos participantes foram expostos a níveis superiores a 50 decibéis e 54,5% a níveis acima de 45 decibéis — faixa de 45-50 dB comparável ao som de uma chuva moderada.

Embora o estudo destaque a presença de uma associação entre exposição prolongada ao barulho urbano e o aumento do risco de eventos cardiológicos e de fatores metabólicos, chama a atenção outro detalhe sensorial: mesmo hábitos regulares e saudáveis de sono parecem não ser suficientes para anular esse impacto. Em outras palavras, a rotina íntima do corpo — o seu tempo interno — pode ser perturbada pela paisagem sonora externa, como se a cidade roubasse parte do repouso que o coração precisa.

Trata-se de uma evidência que diz respeito não só à biologia, mas ao desenho das cidades: o ruído do tráfego é uma camada ambiental que se soma à poluição do ar e ao ritmo acelerado, afetando as raízes do bem-estar. Para quem vive em áreas mais ruidosas, pequenas medidas práticas podem ajudar — janelas com isolamento acústico, cortinas pesadas, uso de ventilação que reduza a necessidade de abrir janelas nos horários de pico — mas o problema pede ações coletivas e políticas urbanas que priorizem corredores verdes, barreiras sonoras e transporte mais silencioso.

Como observador atento da vida italiana e das paisagens urbanas, vejo nesta pesquisa um convite para repensar como nos acolhemos nas cidades. O barulho não é apenas um incômodo; é um fator que, silenciosamente, molda a saúde do coração. A colheita de hábitos saudáveis precisa também incluir a colheita de silêncio — ou pelo menos de uma paisagem sonora mais humana. A apresentação no congresso da AHA lança a semente para diálogos entre cardiologia, planejamento urbano e políticas públicas, em busca de cidades que protejam nossos ritmos internos.

Fonte: estudo do Massachusetts General Hospital, dados 2010-2020, apresentação no congresso da American Heart Association, Chicago.

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