25 anos do 11 de setembro: von der Leyen reafirma que, em perigo, as alianças e a unidade são decisivas
Von der Leyen reafirma que, 25 anos após o 11 de setembro, a lição permanece: em perigo, as alianças e a unidade são decisivas.
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25 anos do 11 de setembro: von der Leyen reafirma que, em perigo, as alianças e a unidade são decisivas
BRUXELAS — Às luzes que hoje marcam o lugar onde estiveram as Torres Gêmeas, a memória do ataque de 11 de setembro permanece um ponto de inflexão na história contemporânea. Vinte e cinco anos após os atentados que, em 2001, provocaram a morte de 2.977 civis e abriram uma nova fase de tectônica de poder global — quando 19 homens ligados à rede Al-Qaeda sequestraram quatro aviões e colidiram dois deles contra Manhattan — a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a sublinhar uma lição simples e duradoura: nas horas de perigo, as alianças contam.
Em Bruxelas, líderes europeus juntaram-se para recordar as vítimas, os bombeiros, policiais e socorristas que entraram no fumo e na poeira, e as famílias que carregam o peso da perda há um quarto de século. Von der Leyen evocou o dia em que "o mundo parou" e descreveu a experiência coletiva de ver o colapso das torres "com horror e incredulidade". Mas, com a sobriedade de quem observa o tabuleiro estratégico, a presidente também apontou para os desdobramentos políticos que se seguiram — em especial a mobilização transatlântica.
O episódio levou a NATO a invocar, pela primeira e única vez na sua história, o Artigo 5 — "um ataque contra um é um ataque contra todos" — e a consolidar uma frente comum em defesa de valores partilhados: liberdade e democracia. Esse movimento coletivo resultou na intervenção no Afeganistão, uma guerra que durou duas décadas e terminou, em agosto de 2021, com uma retirada rápida das forças ocidentais e com o retorno dos Taleban ao poder em poucas horas. É notável, conforme observou von der Leyen e também se lê nas memórias internacionais, que poucas vozes tenham hoje a disposição de promover um exame amplo e crítico dessa resposta.
Para a presidente da Comissão, os autores dos atentados buscaram espalhar o medo muito além de Nova York, Virgínia e Pensilvânia; contudo, "a 25 anos de distância, sabemos que eles falharam: as nossas democracias resistiram, as nossas sociedades permaneceram livres e a ideologia do terror não se impôs". Ainda assim, ressalta ela, o mundo mudou: enfrentamos hoje águas geopolíticas mais turbulentas, marcadas por rivalidades entre grandes potências, conflitos regionais e a rearticulação de eixos de influência.
Da minha perspectiva — que observa a cena internacional como um jogo de alta estratégia, com movimentos em múltiplas frentes — a lembrança do 11 de setembro funciona como um compasso. Não como nostalgia militarista nem como silêncio sobre erros, mas como recordação de que os alicerces frágeis da diplomacia exigem estruturas coletivas de segurança. A verdadeira lição, segundo von der Leyen, permanece: "nos momentos de perigo, as nossas alianças contam. A nossa unidade conta. E contam os valores que escolhemos defender".
Ao revisitar esse quarto de século, o desafio para Europeus e Americanos é duplo: honrar as vítimas com memória rigorosa e, ao mesmo tempo, submeter ao escrutínio as escolhas estratégicas que moldaram o novo mapa de segurança. Em termos de arquitetura internacional, cada partida revela se movemos as peças para fortalecer a estabilidade ou se deixamos que rupturas redesenhem fronteiras invisíveis. A resposta a essa pergunta definirá as próximas décadas.

