Comissão Europeia lança a Coalizão Europeia para a Alfabetização para enfrentar retrocesso nas competências básicas
Comissão cria a Coalizão Europeia para a Alfabetização para combater lacunas de leitura após PISA 2025 e lançar o Memorando de Varsóvia.
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Comissão Europeia lança a Coalizão Europeia para a Alfabetização para enfrentar retrocesso nas competências básicas
Bruxelas, 23 de setembro de 2026 — A Comissão Europeia formalizou hoje o lançamento da Coalizão Europeia para a Alfabetização, uma iniciativa estruturante no âmbito da União das Competências e do Plano de Ação sobre Competências Básicas. O movimento reúne escolas, centros de formação, bibliotecas, organizações culturais, associações de pais e autoridades públicas com um objetivo central: reforçar as competências de leitura e escrita ao longo de toda a vida.
O anúncio ocorre num momento em que persistem fragilidades claras no alicerce das competências letradas. Os resultados da investigação internacional PISA 2025, promovida pela OCDE, revelam que 31,3% dos jovens de 15 anos na União Europeia apresentam dificuldades em compreender textos elementares. Este dado orienta o discurso político e técnico: sem alfabetização robusta não há base fiável para a participação plena na sociedade, nem para a competitividade económica sustentável.
Roxana Mînzatu, vice‑presidente executiva para Direitos Sociais e Competências, destacou que estes números “nos dizem de forma inequívoca que é necessário intensificar os esforços na área da leitura”, sublinhando a importância de garantir que cada jovem desenvolva as competências de alfabetização essenciais para aprender, participar e prosperar.
A nova Coalizão foi dotada de um instrumento fundador, o Memorando de Varsóvia, que estabelece uma visão comum sobre alfabetização, identifica obstáculos ao longo da vida e traça os primeiros passos para um trabalho de longo prazo. Entre as prioridades imediatas estão a alfabetização na primeira infância e a capacitação contínua dos profissionais da educação.
Do ponto de vista estratégico, a criação da Coalizão representa um movimento decisivo no tabuleiro europeu: é a tentativa de redesenhar fronteiras invisíveis entre educação, mercado de trabalho e coesão social. A alfabetização é aqui tratada como infraestrutura humana — um fundamento arquitetônico que sustenta políticas de inclusão e crescimento. Sem esse alicerce, outras iniciativas de qualificação encontram-se em terreno instável.
Na prática, a Coalizão deverá catalisar programas coordenados, partilha de boas práticas e investimentos direccionados para intervenções precoces e formação profissional. Bibliotecas e organizações culturais ganham, assim, um papel ampliado como nodes de intervenção comunitária, enquanto as autoridades públicas são chamadas a sincronizar financiamento e políticas regulatórias no sentido de maximizar o impacto.
Para analistas e decisores, o desafio é operacionalizar a visão do Memorando de Varsóvia de modo a traduzir linhas estratégicas em resultados mensuráveis: progressos nos índices de compreensão leitora, redução das desigualdades regionais e ligação mais harmoniosa entre alfabetização e competências exigidas pelos mercados de trabalho digitais e verdes.
Como diplomata da informação, observo que a Coalizão é ao mesmo tempo um compromisso político e um instrumento técnico: seu êxito dependerá da capacidade de converter intenções em programas locais robustos, sustentados por monitorização rigorosa e pelo alinhamento entre os distintos níveis de governação. Em termos geopolíticos, reforçar a alfabetização é fortalecer a posição europeia no concerto internacional, traduzindo capital humano em vantagem estratégica num mundo cada vez mais competitivo.
Em suma, a iniciativa é um passo ponderado na tectônica de poder da política educativa: um movimento que visa estabilizar o terreno de jogo para as gerações vindouras, consolidando uma base que, se bem construída, permitirá à Europa jogar com maior segurança e visão no tabuleiro global.

