Embaixada russa divulga 'selfie' de Putin com líderes dos BRICS: imagem foi gerada por IA, confirmam peritos

Imagem compartilhada pela embaixada russa com Putin e líderes dos BRICS foi gerada por IA; peritos detectaram watermark SynthID e inconsistências no slogan.

Embaixada russa divulga 'selfie' de Putin com líderes dos BRICS: imagem foi gerada por IA, confirmam peritos

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Embaixada russa divulga 'selfie' de Putin com líderes dos BRICS: imagem foi gerada por IA, confirmam peritos

Por Marco Severini — A publicação divulgada pela embaixada russa na África do Sul, que mostrava o presidente Putin em um suposto selfie coletivo com os dez líderes dos BRICS durante o 18.º cume em Nova Délhi (12-13 de setembro), não resiste à verificação técnica: trata‑se de uma imagem gerada por IA, conforme análise forense.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O arquivo, partilhado numa conta verificada na plataforma X e acompanhado da legenda "BRICS is a superpower", ultrapassou dois milhões de visualizações antes de ser desmentido. Nenhum órgão de imprensa de referência nem o site oficial do próprio cume publicaram a fotografia como autêntica. A equipe de checagem The Cube da Euronews submeteu a imagem a detectores especializados e concluiu que ela foi produzida artificialmente.

Ao processar a foto com ferramentas da OpenAI, foi identificado um marcador digital — o SynthID — indicativo de conteúdo originado por OpenAI. Além disso, elementos gráficos presentes na imagem divergem dos materiais oficiais do encontro: o emblema e o slogan exibidos são incompatíveis com a identidade do BRICS India 2026. O tema real do cume foi "Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability", enquanto a imagem trazia a frase "Stronger together for a brighter tomorrow".

A atitude da representatividade diplomática — publicar sem aclarar a procedência artificial — acende uma chama sobre os riscos de erosão da confiança pública. Mesmo que a montagem aparente ser inócua, o uso crescente de imagens e vídeos gerados por IA por figuras políticas levanta questões de transparência e intenção: trata‑se de um movimento no tabuleiro da comunicação internacional que redesenha, com passos astutos, fronteiras de opinião.

Casos recentes ilustram esse padrão. O líder do partido português de extrema-direita Chega, André Ventura, publicou um vídeo produzido por IA que exibiu uma mulher com seis dedos como artifício para sustentar narrativas anti‑imigração. Apesar de comentários que denunciavam a manipulação, o autor não declarou a origem artificial do conteúdo e o material permanece disponível nas redes. A utilização por líderes como o ex‑presidente norte‑americano Donald Trump de imagens e clips gerados artificialmente em campanhas e comunicações públicas sinaliza que a técnica já integrou a caixa de ferramentas políticas em escala global.

Uma pesquisa de 2026 da organização sem fins lucrativos AI Forensics demonstrou que a IA é empregada não só para criar imagens fotorrealistas, mas também para produzir ilustrações estilizadas que reforçam mensagens de campanha, incluindo narrativas anti‑imigração. Esse fenômeno compromete os alicerces frágeis da diplomacia pública e exige respostas institucionais: rotulagem clara, auditorias forenses regulares e políticas de responsabilização.

Do ponto de vista estratégico, lidamos com uma nova tectônica de poder comunicacional. Estados e atores não estatais movem peças invisíveis no tabuleiro da opinião pública. A lição prática é direta: qualquer conteúdo visual de origem política deve ser verificado, rotulado e contextualizado. A falta de transparência não é um detalhe técnico; é uma decisão que afeta a estabilidade das relações internacionais e a confiança dos cidadãos.

Recomenda‑se que plataformas, missões diplomáticas e mídias adotem procedimentos padronizados de identificação de material gerado por IA, sob pena de normalizar manipulações que corroem o discurso público e distorcem a arquitetura da política externa.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘