Itália: mortes no trabalho recuam em 2025, mas denúncias e doenças profissionais sobem — leitura estratégica
Mortes no trabalho caem em 2025 na Itália, mas denúncias e doenças profissionais aumentam; Inail pede revisão do Testo unico e reforço de benefícios.
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Itália: mortes no trabalho recuam em 2025, mas denúncias e doenças profissionais sobem — leitura estratégica
Por Marco Severini — Em um cenário que exige leitura em plano estratégico, os dados mais recentes da Inail delineiam um quadro misto sobre a segurança laboral na Itália. Em 2025 houve um ligeiro recuo nas mortes no trabalho: 1.198 trabalhadores perderam a vida durante o trabalho, uma queda de 3,3% em relação aos 1.239 óbitos registados em 2024. Ainda assim, a estabilidade aparente oculta movimentos preocupantes no tabuleiro da proteção laboral.
Ao mesmo tempo, as denúncias de acidentes de trabalho aumentaram 1,2%, alcançando 600 mil registros no total. Entre estes, o crescimento mais acentuado ocorreu entre estudantes, com um aumento de 3,4% para 81 mil comunicações. As denúncias atribuídas a trabalhadores assalariados subiram 0,8%, totalizando 519 mil.
Do ponto de vista demográfico, as mulheres representaram 32,1% das comunicações de acidentes em ocasião de trabalho em 2025 — ou seja, aproximadamente um em cada três casos —, enquanto nas ocorrências mortais apenas 6,1% envolveram mulheres (um caso fatal em cada 16).
O presidente da Inail, Fabrizio d'Ascenzo, sublinhou a necessidade de revisar o Testo unico para eliminar critérios seletivos que limitam a cobertura, estendendo uma proteção mais universal a novas categorias de trabalhadores. D'Ascenzo também apontou a urgência de atualizar as prestações económicas destinadas a feridos, tecnopáticos e sobreviventes — uma reforma que representa um movimento decisivo no xadrez das políticas sociais.
Um capítulo de atenção é o dos acidentes in itinere (ocorridos durante o trajeto entre casa e trabalho), que cresceram 2,4% e chegaram a 104.417 denúncias entre os trabalhadores. Considerando apenas as comunicações por acidentes em ocasião de trabalho, observa-se uma ligeira alta de 0,5%, totalizando 414.917 casos.
Relacionando os incidentes com o número de ocupados segundo o Istat, em 2025 ocorreram 1.720,4 acidentes por 100 mil ocupados — uma diminuição marginal de 0,3% em relação a 2024 e uma queda de 13,4% face a 2019 (1.986,7 por 100 mil). Os incidentes mortais diminuíram 4,9% em relação ao ano anterior, para 3,69 mortes por 100 mil ocupados.
Analiticamente, destaca-se a maior vulnerabilidade etária: entre as vítimas fatais, duas em cada três tinham mais de 50 anos. No total de acidentes em ocasião de trabalho, a faixa dos 50 aos 64 anos concentrou 35,5% dos casos, seguida pelos menores de 35 (30,7%) e pelos 35-49 anos (30,6%); os com mais de 64 anos representaram 3,2%, um recorte em crescimento.
Outro indicador tectônico é a forte subida das doenças profissionais, cujo número quadruplicou desde 2000. Em 2025 houve 98.312 denúncias, um aumento de 11,3% em relação a 2024 — o nível mais alto em 26 anos. A Inail ressalta que esse crescimento pode refletir a emersão do fenómeno oculto, mais do que necessariamente um agravamento imediato das condições de trabalho.
Importa lembrar, em termos de metodologia, que o número de denúncias não equivale ao número de trabalhadores afetados, pois uma mesma pessoa pode apresentar múltiplos relatórios. No conjunto, os dados apontam para alicerces ainda frágeis da diplomacia laboral: redução modesta de vítimas fatais, mas expansão das comunicações e das doenças ocupacionais, exigindo reformas estruturais e um redesenho das fronteiras invisíveis da proteção social.

