Kubilius: Palantir é 'excelente' enquanto a UE reforça sua arquitetura de defesa

Kubilius chama Palantir de 'excelente' e aponta a IA como crucial; UE busca capacidades próprias entre desafios sobre Groenlândia e sanções à Rússia.

Kubilius: Palantir é 'excelente' enquanto a UE reforça sua arquitetura de defesa

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Kubilius: Palantir é 'excelente' enquanto a UE reforça sua arquitetura de defesa

Por Marco Severini — Em uma análise serena e estratégica sobre os novos alicerces da política de segurança europeia, o comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, qualificou a empresa Palantir Technologies como "uma ótima companhia" em entrevista extensa concedida à Euronews, no programa Europe Today, centrado em espaço e defesa.

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Ao comentar a importância crescente da inteligência artificial para fins de inteligência e de gestão de dados, Kubilius afirmou que estes desenvolvimentos são "cruciais para as doutrinas de guerra modernas". A sua avaliação foi dada à margem do segundo cume EU Access to Space, realizado na quarta-feira em Bruxelas, onde a discussão estratégica sobre capacidades tecnológicas ocupou lugar central no tabuleiro político.

É necessário, porém, situar esse elogio num contexto mais amplo. Palantir tem sido alvo de críticas severas por parte de organizações de direitos humanos e de alguns governos europeus devido ao seu uso em operações militares, vigilância em massa e no apoio a políticas de imigração. Ainda assim, nos corredores da diplomacia, há movimentos que procuram integrar capacidades privadas avançadas na defesa coletiva.

Prova disso foi o encontro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova York, entre o diretor-executivo da empresa, Alex Karp, e os presidentes da Polónia e da Lituânia — segundo a cobertura da imprensa, Karol Nawrockie e Gitanas Nausėda. Comunicados oficiais indicaram que a pauta visava uma integração mais estreita com a empresa, em particular para fins de defesa e operações conjuntas com a OTAN.

Interpelado sobre o significado desta aproximação para o flanco oriental da Europa, Kubilius disse não ter conhecimento direto do conteúdo das conversações entre os dois chefes de Estado e Karp. Reafirmou, contudo, que a inteligência artificial tornou-se "a nova normalidade" no desenho das doutrinas de defesa e que a Europa deve priorizar o desenvolvimento de capacidades próprias para não ficar subordinada a soluções externas.

No mesmo conjunto de páginas da sua entrevista, o comissário abordou ainda a recente resolução da disputa sobre a Groenlândia. Após dez meses de negociações, os governos da Dinamarca, dos Estados Unidos e de Nuuk firmaram um acordo em Nova York que encerra a contenda. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o pacto garante um "controle permanente" sobre a ilha e prevê a reabertura de duas bases militares norte-americanas.

Kubilius explicou que o governo dinamarquês saudou o desfecho por eliminar uma formulação que os europeus consideravam inaceitável — a alegação, repetida publicamente no passado, de que a Groenlândia deveria pertencer aos Estados Unidos por motivos de segurança. Essa linguagem foi removida, disse ele, e o problema está agora resolvido em termos formais.

Por fim, ao tratar das sanções europeias contra a Rússia, o comissário observou que a recente retirada de um oligarca do último pacote sancionatório — medida obtida por pressão francesa — exige um repensar dos procedimentos de aprovação das medidas. Países bálticos como Letónia e Lituânia manifestaram forte oposição à remoção de dois indivíduos da lista, deixando visível a tensão entre critérios geopolíticos e preciosismos diplomáticos.

Em suma, o panorama descrito por Kubilius revela uma tectônica de poder em movimento: a Europa procura consolidar suas capacidades tecnológicas e militares, enquanto negocia alianças e pressões que redesenham, frequentemente de maneira discreta, as fronteiras da influência estratégica.

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