Letônia bloqueia retirada de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE, travando acordo de compromisso
Letônia bloqueia acordo da UE que retiraria Alisher Usmanov das sanções; impasse complica renovação da lista e expõe divergências entre aliados.
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Letônia bloqueia retirada de Alisher Usmanov da lista de sanções da UE, travando acordo de compromisso
Em um movimento que alterou temporariamente o ritmo das negociações comunitárias, a Letônia impediu a aprovação de um acordo que permitiria a remoção do empresário uzbeque-russo Alisher Usmanov da lista de sanções da União Europeia. A proposta de compromisso, apoiada pela França e mediada informalmente por interlocutores externos, encontrou na capital báltica um veto que restabelece, por ora, o impasse.
O primeiro-ministro letão, identificado nas comunicações oficiais como Andris Kulbergsin, declarou pouco antes da meia-noite que «enquanto a Rússia mantiver a guerra, a pressão europeia deve crescer e não se tornar conforto para o Kremlin». A declaração foi transmitida em vídeo e marca a posição firme da Letônia em favor de uma linha de máxima pressão.
Fontes diplomáticas informaram que a França condicionou a retirada do nome de Usmanov à libertação de dois cidadãos franceses detidos no Azerbaijão, o que gerou desconforto entre outros Estados-membros. Também circulou a informação de que o Uzbequistão, país natal de Usmanov, pode ter desempenhado um papel facilitador nas conversações.
Paralelamente, a Eslováquia teria solicitado a exclusão de Usmanov da lista por razões distintas, aprofundando a complexidade do tabuleiro de negociações. Em resposta ao bloqueio, a presidência irlandesa do Conselho da UE apresentou um compromisso: remover Alisher Usmanov e outro bilionário, Mikhail Fridman, da lista, mas prorrogar o regime sancionatório por um período sem precedentes de 36 meses. A intenção era evitar vetos e assegurar continuidade legal à lista.
Embora a proposta tenha reunido apoio tácito de vários Estados-membros, diplomatas admitiram a dificuldade política em aceitá-la. Autoridades ucranianas utilizaram redes sociais para manifestar forte oposição. A exigência de unanimidade fez da Letônia o único voto decisivo a suspender o acordo; delegados reuniram-se novamente na manhã seguinte para prosseguir negociações.
O prazo para a renovação do regime sancionatório expira ao final do dia; sem renovação, toda a lista — cerca de 2.600 nomes, incluindo o presidente Vladimir Putin — perderá validade, criando um significativo vácuo jurídico e político no arsenal europeu contra Moscou.
No vídeo, Kulbergsin afirmou que a Letônia trabalhará com Bruxelas e Paris para encontrar «uma solução adequada aos interesses letões». «Prorrogar por 36 meses seria correto, mas o preço não pode ser simplesmente apagar dois nomes da lista», disse, anunciando uma reunião extraordinária do governo. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Baiba Braže, pediu que a França explique formalmente sua posição.
Os países bálticos — Letônia, Lituânia e Estónia — mantêm há muito uma estratégia de máxima pressão sobre a Rússia. Com eleições parlamentares próximas na Letônia, a decisão assume também um claro prisma doméstico. No tabuleiro diplomático, este episódio revela não apenas divergências táticas entre aliados, mas um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica do poder europeu: cada peça movida hoje pode alterar o equilíbrio das próximas jogadas.
Enquanto a UE busca o equilíbrio entre coerência sancionatória e objetivos consulares, a Letônia aposta na firmeza como alicerce da diplomacia. A próxima jogada nas salas de reunião e nos corredores de Bruxelas pode definir se prevalecerá a pragmática capacidade de gestão de crises ou a lógica de princípio que os bálticos defendem com vigor.

