Oito mortos em nova onda de ataques russos à Ucrânia; Kiev também é alvo
Oito mortos em nova onda de ataques russos à Ucrânia; Kiev e regiões do leste atingidas por mísseis e drones, elevando riscos à infraestrutura civil.
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Oito mortos em nova onda de ataques russos à Ucrânia; Kiev também é alvo
Por Marco Severini — Em mais um movimento do tabuleiro que redesenha a tectônica de poder na Europa, uma nova investida militar da Rússia atingiu a Ucrânia nesta quinta-feira, deixando pelo menos oito mortos e renovando o temor sobre os alicerces frágeis da diplomacia regional.
As sirenes antiaéreas soaram em várias cidades enquanto uma série de ataques com drones e mísseis atingia tanto as zonas orientais do país quanto a própria capital, Kiev. Autoridades locais informaram que seis trabalhadores agrícolas foram mortos no leste do país, enquanto outras duas vítimas foram registradas na capital, onde imagens dos serviços de emergência mostraram veículos incendiados e destroços fumegantes de edifícios após as explosões matinais.
O episódio ocorreu num contexto de represálias verbais nas Nações Unidas: tanto Kiev quanto Moscou reafirmaram que não irão ceder na pressão de ataques de longo alcance, obliterando, por ora, qualquer perspectiva imediata de trégua no maior conflito no território europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Em Nova York, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediu mais apoio ocidental e sanções mais duras contra o Kremlin, acusando explicitamente a Rússia de mirar deliberadamente a infraestrutura civil.
Na capital, o primeiro-ministro Sergiy Koretsky confirmou duas mortes e as autoridades relataram o uso de mísseis balísticos entre os artefatos empregados. A intensidade dos ataques em Kiev levou moradores a reavaliar planos de emergência para o inverno, temendo novo colapso no fornecimento de energia essencial para aquecimento quando as temperaturas caírem bem abaixo de zero.
No setor de Kharkiv, a procuradoria regional divulgou imagens de um depósito atingido em Chuguiv: trabalhadores de seleção de verduras foram surpreendidos por uma explosão que abriu uma cratera no telhado e espalhou caixas — entre elas, montes de maçãs — pelo chão. O governador Oleg Synegubov informou que oito povoados na região foram atacados nas últimas 24 horas.
As autoridades descreveram o emprego de um míssil de cruzeiro de pequenas dimensões conhecido como Banderol, uma arma híbrida de custo reduzido que combina elementos de míssil de cruzeiro e de drone de ataque. As forças russas utilizaram essas munições em larga escala, muitas vezes para sobrecarregar as defesas aéreas ucranianas.
Também foram relatados ataques na área do porto de Odesa, às margens do Mar Negro, onde um centro comercial incendiou-se e residências e comércio foram danificados. A capital vinha sofrendo, nos dias anteriores, uma sequência de ataques com drones que já haviam afetado postos de combustível e a malha ferroviária; a companhia de logística Nova Post informou que uma filial e um centro de triagem foram destruídos.
Esta nova rodada de violência sucede ataques do dia anterior que causaram ao menos sete mortes no país, mostrando que estamos diante de uma escalada sistemática. Como analista, observo que cada ataque funciona tanto como pressão militar imediata quanto como peça numa estratégia maior: testar defesas, desgastar infraestruturas essenciais e moldar, por coerção, as condições políticas — um movimento decisivo no tabuleiro que visa influenciar não só forças armadas, mas também a resiliência civil e a narrativa internacional.
O desfecho prático dessas ações — se intensificarão a fragmentação do apoio ocidental, se provocarão novas sanções ou se empurrarão a diplomacia para negociações forçadas — permanece incerto. O que é claro, porém, é que a guerra continua a reconfigurar linhas de influência e a desafiar, a cada investida, a arquitetura de segurança europeia.

