Quem pode viver na Grécia? Debate em Atenas reacende disputa sobre migração e pobreza
Debate em Atenas reacende disputa sobre migração, pobreza e obrigações internacionais da Grécia após eventos em Ceuta e Evros.
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Quem pode viver na Grécia? Debate em Atenas reacende disputa sobre migração e pobreza
Por Marco Severini — Em Atenas, o debate sobre quem pode e deve permanecer em solo grego ganhou nova intensidade após os episódios de julho em Ceuta. Para muitos observadores, a memória voltou a 2015, quando centenas de embarcações carregadas de refugiados e migrantes chegavam diariamente a Lesbos e às outras ilhas do Egeu. A cena recuerda também 2020, no Evros, quando tentativas massivas de travessia da fronteira vindo da Turquia colocaram a questão migratória no centro do tabuleiro político.
Neste cenário, a edição especial de The Ring trouxe ao estúdio dois deputados que representam os polos opostos do xadrez político helênico: Dimitris Kairidis, do partido conservador de governo Nova Democracia, e Milena Apostolaki, do PASOK, principal força de centro-esquerda na oposição. A conversa, conduzida com firmeza por Apostolos Staikos, reflete os movimentos estratégicos que moldam a política doméstica e a posição da Grécia na arena europeia.
Kairidis enfatizou que o imperativo do governo é garantir que os cidadãos se sintam seguros, sem, contudo, replicar os extremos observados "do outro lado do Atlântico". A sua intervenção desenha uma abordagem em que a ordem interna e a capacidade de controlo de fronteiras são vistas como alicerces para a estabilidade social e política.
Apostolaki, por sua vez, acusou o uso instrumental dos incidentes de Ceuta para fins de propaganda política, com impacto direto sobre a governabilidade europeia — numa referência implícita ao caso espanhol e ao questionamento do primeiro-ministro Pedro Sánchez. A deputada sublinhou também dados do Eurostat que colocam a Grécia em segundo lugar nos índices de pobreza e exclusão social na União Europeia, atrás apenas da Bulgária. Esse quadro social funciona como um mapa das fragilidades internas que condicionam qualquer política migratória.
Ambos os parlamentares concordaram em um ponto sensível: a necessidade de a Europa estabelecer um diálogo com Vladimir Putin como parte de um esforço diplomático mais amplo para pôr fim à guerra na Ucrânia. No mesmo tom de realismo geopolítico, defenderam que a Grécia tem a obrigação de cumprir mandatos judiciais internacionais — mencionando especificamente a execução de um eventual mandato de prisão emitido pela Corte Penal Internacional no caso de uma visita do primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu ao país.
O confronto em estúdio ilustrou a tectônica de poder e as linhas de fratura internas: segurança versus solidariedade social; soberania nacional versus obrigações legais internacionais; diplomacia pragmática versus imperativos morais. Como num jogo de xadrez, cada iniciativa política é um movimento que exige previsão e contenção, sob pena de desestabilizar conjuntos frágeis da ordem doméstica e regional.
Este episódio de The Ring foi apresentado por Apostolos Staikos, produzido por Luis Albertos Altarejos e Amaia Echevarria, e montado e dirigido por Vassilis Glynos. Para comentários e informações adicionais, contate: thering@euronews.com.

