Rússia lança nova onda de drones sobre a Ucrânia: Kiev, Kharkiv e Odessa atingidas
Rússia intensifica ataques com drones à Ucrânia; Kiev, Kharkiv, Odessa e Kherson registram vítimas e danos em 27 de agosto de 2026.
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Rússia lança nova onda de drones sobre a Ucrânia: Kiev, Kharkiv e Odessa atingidas
Por Marco Severini — Em um novo movimento no tabuleiro de poder, a Rússia intensificou, nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, uma ofensiva de drones e mísseis que atingiu várias regiões da Ucrânia, incluindo Kiev, Kharkiv, Kherson, Odessa e áreas do nordeste como Sumy. A escalada ocorreu após uma noite já marcada por um ataque combinado e massivo de aeronaves não tripuladas e projéteis balísticos.
O episódio mais grave pôs em evidência a vulnerabilidade das zonas urbanas: em Kharkiv, um drone atingiu um grande centro comercial no distrito de Osnovianskyi. As autoridades locais confirmaram a morte de um homem de cerca de 40 anos e ao menos quatro feridos. O impacto provocou incêndio e colapsos parciais da cobertura e de paredes, com imagens oficiais mostrando interiores carbonizados e um perímetro de dano estimado em aproximadamente 300 metros quadrados.
É uma dolorosa repetição: há poucos dias, em 21 de agosto, o bombardeio a um centro comercial em Kryvyi Rih causou 16 mortos e cerca de 140 feridos — um precedente que torna o ataque atual ainda mais significativo do ponto de vista político e humano.
No sul, em Kherson, três pessoas ficaram feridas quando um ataque atingiu um ônibus local. A administração municipal, por meio de Yaroslav Shanko, denunciou que "o inimigo ataca meios de transporte civis em plena luz do dia", enfatizando que as vítimas realizavam atividades cotidianas. Em Odessa, outras três pessoas também foram feridas.
Em Kiev, sirenes antiaéreas tocaram repetidamente durante a manhã, acompanhadas por múltiplas explosões. O prefeito Vitali Klitschko reportou quatro feridos — dois hospitalizados — e registrou a queda de um drone em via pública, além de colunas de fumaça em diversos pontos. Durante os alertas, numerosos cidadãos permaneceram retidos na rede de metrô, que, por protocolo, não atravessa o rio Dnipro enquanto vigora a alerta aérea, tornando as estações abrigos improvisados na capital.
A ofensiva noturna contra a região de Kiev envolveu, segundo o governador Tymur Tkachenko, horas de ataques com drones de ataque e mísseis balísticos, mirando depósitos, estruturas logísticas e infraestruturas. Autoridades ucranianas relatam vítimas adicionais na região de Sumy — uma morte e quatro feridos — enquanto Moscou descreveu a operação como um ataque "massivo" destinado a atingir instalações ligadas à indústria militar, logística, energia e portos.
O presidente Volodymyr Zelensky renovou o apelo aos aliados por mais sistemas de defesa aérea, argumento central em um momento em que os alicerces da diplomacia e da segurança regional parecem fragilizados. No plano estratégico, trata-se de uma tentativa de redesenhar corredores de influência e de testar a resistência das defesas ucranianas, um movimento que reconfigura, de forma sutil e perigosa, a tectônica de poder na região.
Como analista, observo que a repetição de ataques a alvos civis e logísticos revela uma lógica de desgaste e intimidação: em termos de xadrez estratégico, são jogadas destinadas a forçar reações, abrir brechas nas cadeias de abastecimento e corroer a resistência política e social. Cabe à comunidade internacional responder não apenas com repúdio, mas com sistemas concretos de proteção e com medidas que preservem os núcleos civis, preservando a estabilidade mínima necessária para evitar um escalonamento mais amplo.

