Trump prevê fim precoce da guerra na Ucrânia; UE retira sanções de dois oligarcas russos — análise estratégica
Análise: Trump prevê fim da guerra na Ucrânia; UE retira sanções de dois oligarcas; EUA, Dinamarca e Groenlândia fecham pacto no Ártico. Contexto e implicações geopolíticas.
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Trump prevê fim precoce da guerra na Ucrânia; UE retira sanções de dois oligarcas russos — análise estratégica
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha peças no tabuleiro diplomático, o ex-presidente Trump afirmou na Assembleia-Geral da ONU que prevê o fim da guerra na Ucrânia mais cedo do que muitos observadores esperam. A declaração, registrada durante o encontro com Volodymyr Zelenskyy em Nova York, não é apenas uma previsão retórica: revela uma tentativa de recalibrar expectativas e de reposicionar Washington como um ator capaz de moldar o desfecho desse conflito que tem sido ponto de tensão na tectônica de poder euro-atlântica.
A jornalista Sasha Vakulina analisa esse encontro em suas implicações estratégicas. Na minha leitura, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: projetar confiança sobre o fim do conflito pode ser tanto um convite à negociação quanto um sinal para aliados e adversários de que há espaço para uma transição controlada, mitigando riscos de escalada.
Enquanto isso, em Bruxelas, o primeiro‑ministro letão Andris Kulbergs explicou com franqueza, em entrevista exclusiva a Angela Skujins da Euronews, os desdobramentos que levaram à remoção de dois empresários russos da lista de sanções da UE. A suspensão dessas medidas — um desenlace que fez o Conselho europeu prender a respiração — destaca os alicerces frágeis da diplomacia sancionatória: critérios legais, pressões políticas e interesses econômicos se articulam como colunas de um templo cuja integridade frequentemente é testada.
No Ártico, reporta Shona Murray, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia formalizaram um acordo para fortalecer a segurança regional, encerrando mais de um ano de tensão entre Washington e aliados nórdicos. O pacto chega depois da controvérsia provocada por antigos comentários de Trump sobre a possibilidade de “tomar” a Groenlândia. O novo entendimento funciona como um redesenho de fronteiras invisíveis: reforça cooperação logística e consagra canais institucionais que reduzem a margem para gestos unilaterais.
Em um teatro político distinto, o Marrocos vai às urnas para eleições legislativas. Conversamos com Aboubakr Jamai, intelectual marroquino e diretor da Donna Dillon Manning School of Global Affairs, que contextualiza o pleito num momento em que o país busca equilibrar estabilidade interna, reformas e manobras de projeção regional. As escolhas do eleitorado marroquino terão reverberações na estabilidade do Magrebe e na articulação de eixos de influência entre Europa e África.
A programação da Euronews acompanha esses temas ao vivo com os apresentadores Méabh Mc Mahon e Stefan Grobein, diariamente às 08:00 (hora de Bruxelas). Em 20 minutos, o programa sintetiza os eventos que moldam a União Europeia e além, oferecendo análises condensadas que podem ser consultadas também via newsletter e podcast.
Do ponto de vista geopolítico, observamos hoje uma constante: o redesenho de equilíbrios por meio de declarações públicas, acordos institucionais e decisões jurídicas. Cada movimento — seja uma previsão otimista de Trump, a retirada de sanções da UE ou um pacto no Ártico — compõe uma sequência tática que, somada, redesenha linhas de influência. Resta acompanhar como esses alicerces reagirão à pressão do tempo e da política real.

