UE avalia liberação das reservas estratégicas de petróleo para aliviar alta dos preços

UE avalia liberar reservas estratégicas de petróleo para conter alta dos preços e aliviar escassez de diesel; decisão será coordenada pela IEA e pelos Estados-membros.

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UE avalia liberação das reservas estratégicas de petróleo para aliviar alta dos preços

Por Marco Severini — Em um movimento que revela a tensão entre prudência estratégica e necessidade imediata de mercado, a União Europeia estuda a possibilidade de utilizar novamente suas reservas estratégicas de petróleo. O comissário europeu para a Energia, Dan Jørgensen, afirmou em entrevista que a opção de liberação está sobre a mesa para ampliar a oferta e mitigar as pressões inflacionárias sobre combustíveis.

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O quadro é definido por uma tectônica de poder que reordenou corredores de energia: a guerra envolvendo o Irã e a redução da capacidade de refino constrangeram a oferta global, provocando escaladas expressivas nos preços. Nos Estados Unidos, por exemplo, o diesel chegou a 7 dólares por galão, enquanto o Brent vem oscilando entre 97 e 102 dólares por barril desde o fim de setembro — cerca de 25 a 30 dólares acima dos níveis anteriores ao conflito.

Pressões externas, especialmente dos EUA, empurraram a discussão para a agenda europeia. Washington tem solicitado aos países-membros da UE um novo aporte de estoques de emergência que, segundo estimativas, poderia injetar até 120 milhões de barris no mercado. Jørgensen explicou que a ação seria coordenada por meio da Agência Internacional de Energia (IEA), com sede em Paris, embora a decisão final pertença a cada Estado-membro: "Coordenamos via UE e por nossas posições na IEA. Mas é uma decisão de cada Estado: eles querem fazê-lo ou não?", declarou o comissário.

Fontes comunitárias confirmaram que a Comissão organizou uma videoconferência com diversos países, inclusive com o Reino Unido, para avaliar cenários e impactos logísticos. A decisão — além de política — tem um claro custo estratégico: as reservas de emergência são finitas; uma vez utilizadas, exigirão recomposição, e os governos podem hesitar em reduzir margens de segurança enquanto a crise geopolítica perdurar.

Dados da IEA apontam que os estoques globais monitorados diminuíram em cerca de 410 milhões de barris desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, amplificando a escassez de diesel e combustível para aviação e pressionando margens de refino a níveis recordes. No início do ano, a UE já participou de um grande desbloqueio coordenado, quando a IEA supervisionou a liberação de 400 milhões de barris; os países europeus responderam por aproximadamente 20% desse total.

Do ponto de vista estratégico, a situação exige um movimento ponderado — quase um lance no tabuleiro — que balanceie alívio imediato para mercados e cidadãos contra a preservação de alicerces confiáveis da diplomacia energética. Na minha avaliação, é provável que a UE opte por uma liberação calibrada e coordenada, porque, em termos de estabilidade sistêmica, agir em bloco pela IEA maximiza o efeito no mercado e minimiza riscos de sinais contraditórios entre aliados.

Enquanto as discussões prosseguem nas horas e dias vindouros, permanecem centrais as perguntas sobre o momento exato, o volume a liberar e o cronograma de reposição. São decisões que não só afetam cotações imediatas, mas redesenham fronteiras invisíveis de confiança e abastecimento no mapa energético global.

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