Zelensky lança a aliança “Carpathian Eight” para atrair €9,4 bi e fortalecer os Carpáticos

Zelensky lança a aliança Carpathian Eight para atrair €9,4 bi e impulsionar segurança, energia e logística nos Carpáticos.

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Zelensky lança a aliança “Carpathian Eight” para atrair €9,4 bi e fortalecer os Carpáticos

Por Marco Severini — Em um movimento calculado no tabuleiro da diplomacia europeia, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky inaugurou, em Bukovel, no oeste da Ucrânia, uma nova arquitetura de cooperação regional denominada Carpathian Eight (C8). A iniciativa reúne Ucrânia, Romênia, Sérvia, Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Áustria e Hungria, com a participação da União Europeia, e tem por objetivo primordial relançar os investimentos e transformar os Carpáticos em um motor sustentável de crescimento.

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Na cerimônia de abertura, Zelensky delineou a agenda estratégica da aliança: cooperação em segurança, energia, logística, integração econômica transfronteiriça e apoio às comunidades locais. "Em passado recente, os Carpáticos foram vistos sobretudo como destino turístico ligado a questões climáticas e apoio local. Hoje, os Carpáticos podem e devem tornar-se um dos principais vetores de crescimento econômico, investimentos e exportação de energia", declarou o presidente. A fala denota a intenção de reposicionar a região de um ponto periférico para uma peça central na tectônica de poder euro-asiática.

Do ponto de vista operacional, Zelensky apontou setores prioritários: transportes e logística, mobilidade militar, minerais críticos, comércio e atração de investimentos. Sublinhou ainda o papel geoestratégico da região como porta de entrada europeia para rotas vindas do Cáucaso Meridional e da Ásia através do Mar Negro — um redesenho de fronteiras invisíveis nos fluxos de mercadorias e energia.

Durante o chamado "Investment Lab", os organizadores apresentaram aos investidores cerca de 90 projetos conjuntos, com uma necessidade estimada de capitais na ordem de €9,4 bilhões. Esse portfólio inclui infraestruturas de transporte, terminais logísticos, projetos energéticos transfronteiriços e iniciativas para extração e processamento de minerais críticos — componentes que, no xadrez das cadeias de suprimento, representam deslocamentos de peças com impacto duradouro.

Entre os participantes, figuraram o primeiro‑ministro polonês Donald Tusk, o presidente sérvio Aleksandar Vučić e o presidente romeno Nicușor Dan, além de delegações técnicas da União Europeia. A cena diplomática, contudo, mostra linhas de fratura: enquanto países como Polônia e Romênia mantêm alinhamento firme com Kiev, Estados como Hungria, Sérvia e Eslováquia adotam postura mais cautelosa e se abstêm de fornecer assistência militar direta. Trata‑se de alicerces políticos distintos que condicionam a profundidade e a eficácia da cooperação em segurança e mobilidade militar.

Na análise geopolítica, a criação do Carpathian Eight é um movimento estratégico para consolidar uma esfera de influência euro‑centro‑oriental, promovendo sinergias econômicas que possam compensar vulnerabilidades energéticas e logísticas. A iniciativa busca atrair capital privado e público para remodelar a infraestrutura regional, ao mesmo tempo em que negocia sensibilidades políticas entre membros com interesses divergentes.

Em termos práticos, o sucesso do C8 dependerá da convergência entre vontade política, disponibilidade de fundos e segurança jurídica para projetos transfronteiriços. Se bem conduzido, o bloco pode transformar os Carpáticos numa artéria vital para o comércio entre Europa, Cáucaso e Ásia e fortalecer a resiliência da região diante das pressões externas. No tabuleiro maior da estabilidade europeia, o Carpathian Eight representa um movimento decisivo — ainda que sujeito a riscos e tensões internas que exigirão diplomacia paciente e estratégia de longo prazo.

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