Captura de tela em sala operatória pode reabrir caso do transplante que matou menino em Nápoles
Captura de tela na sala operatória pode reabrir investigação sobre transplante que matou menino em Nápoles; defesa apresenta nova prova no Riesame.
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Captura de tela em sala operatória pode reabrir caso do transplante que matou menino em Nápoles
Uma captura de tela registrada na sala operatória reacende a controvérsia em torno da morte de Domenico Caliendo, o menino de dois anos que faleceu em 21 de fevereiro após receber, em 23 de dezembro de 2025, um transplante de um coração danificado. A nova prova foi apresentada hoje na audiência perante o Riesame de Nápoles pelos advogados Alfredo Sorge e Vittorio Manes, defensores do cardiocirurgião Guido Oppido.
Os defensores depositaram o fotograma para sustentar o pedido de anulação da medida de interdição da atividade médica por 12 meses, imposta ao médico pelo juiz responsável. Segundo a defesa, a imagem mostra um dos operadores de saúde com o recipiente do órgão aberto e à procura do cestello (cesto) às 14h31, o que, na avaliação dos advogados, contradiz a versão que atribui a Oppido o início do procedimento antes da entrada do caixa com o coração do doador na sala operatória.
Em palavras de Alfredo Sorge, a sequência fixa “nega a acusação de que Oppido tivesse iniciado a intervenção antes de o box com o coração do doador estar em sala”. A defesa acrescenta que, conforme já declarado pelo próprio médico, ninguém teria informado Oppido sobre as condições do recipiente que transportava o órgão.
Trata-se de um elemento técnico cuja relevância depende de verificação imediata da autenticidade e da cadeia de custódia do arquivo: data e horário do dispositivo que gerou a imagem, confirmação de sincronização dos relógios da sala, e eventual cruzamento com outros registros de sala operatória — fichas de enfermagem, registros de entrada do material e gravações adicionais. Especialistas em medicina legal e engenharia forense de imagem serão essenciais para estabelecer se o frame altera de fato a cronologia dos fatos.
Do ponto de vista processual, o depósito da captura pode impactar tanto a esfera administrativa quanto a penal. Se comprovada a discrepância entre a linha temporal apresentada pela acusação e o que mostra a imagem, a defesa poderá pedir reavaliação das medidas cautelares e questionar a robustez das imputações. Ainda assim, a simples existência do fotograma não define, por si, responsabilidade ou inocência — exige-se perícia técnica e um raio-x do cotidiano das condutas na sala operatória.
Fontes judiciais confirmam que o processo segue em curso e que o juiz do Riesame avaliará a validade probatória do material apresentado. A investigação original, que apura as circunstâncias do transplante e as condições do órgão doado, permanece ativa. Cabe à acusação responder ao novo elemento juntado pela defesa e, se for o caso, requerer novas diligências.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e verificação técnica são passos imprescindíveis nesta fase. A imagem depositada hoje representa mais um dado bruto no processo complexo que envolve falhas técnicas, decisões médicas e a tragédia familiar que devolveu à justiça um caso de alta sensibilidade pública.

