Cinco incêndios em um mês atingem produtores europeus de armas; autoridades investigam possível sabotagem
Cinco incêndios e explosões atingem produtores europeus de armas em um mês; autoridades investigam possível sabotagem e falhas de segurança.
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Cinco incêndios em um mês atingem produtores europeus de armas; autoridades investigam possível sabotagem
Uma sequência de eventos violentos atingiu empresas do setor de defesa na Europa nas últimas semanas, levantando suspeitas de uma campanha coordenada contra produtores europeus de armas que apoiam a Ucrânia. Em investigação conduzida com cruzamento de fontes locais e declarações oficiais, constata-se um padrão que une incêndios, explosões e tentativas de incêndio doloso em depósitos e fábricas especializadas.
O caso mais recente ocorreu em um depósito de munições da empresa EMCO em Gorni Varpishta, na Bulgária, onde uma explosão seguida de incêndios causou danos internos ao complexo de estocagem. O ministro do Interior Ivan Demerdzhiev informou em coletiva que as detonações foram localizadas e não representam risco de propagação para outros armazéns ou para fora do perímetro. Segundo o ministro, as autoridades estão avaliando todas as hipóteses e apurando eventuais falhas: as estruturas de armazenamento apresentavam deficiências no plano de segurança, segundo relatos oficiais.
A EMCO, por sua vez, afirmou que os depósitos eram submetidos a inspeções regulares e que não havia violações normativas. Em comunicado, a empresa atribuiu responsabilidades à proteção externa dos armazéns, que, segundo ela, é de competência do Estado, e sugeriu que incidentes recentes teriam sido provocados por "forças externas". A postura da companhia incluiu acusações contra autoridades por negligência, o que, na avaliação da empresa, encorajaria ações de sabotagem impunes.
A presidente Iliana Iotova anunciou a convocação do Conselho de Segurança Nacional para discutir o aumento da frequência de explosões em depósitos de munição. A medida revela preocupação institucional sobre a repetição desses episódios no território búlgaro.
A EMCO pertence ao industrial da defesa Emilian Gebrev, sobrevivente em 2015 de uma tentativa de envenenamento que atingiu também seu filho e um executivo da companhia. A procuradoria da Bulgária chegou a indiciar três cidadãos russos pelo episódio. Além disso, seis russos foram acusados por atos de terrorismo relacionados a quatro explosões em instalações de armamento búlgaras ocorridas entre 2011 e 2020.
O episódio na Bulgária se soma a uma série de ocorrências que afetaram fabricantes e fornecedores de material militar na Europa:
- 10 de agosto – incêndio em depósito da EMCO (Bulgária);
- 13 de agosto – potente explosão na planta da KNDS Ammo Italy, em Colleferro (Itália);
- 15 de agosto – incêndio em edifício da Milrem Robotics, empresa estoniana de robótica militar, em Tallinn; autoridades locais apontaram suspeitas sobre participação de agentes ligados a Moscou;
- 28 de agosto – tentativa de incêndio doloso frustrada na planta da Skyeton, produtora ucraniana de drones Raybird, na Eslováquia;
- 1º de setembro – incêndio em fábrica de componentes para drones da WB Electronics, em Skarzysko-Kamienna (Polônia); investigação não descarta hipótese de ação intencional.
Fontes oficiais e empresariais consultadas durante a apuração descrevem um quadro de risco crescente para instalações do setor de defesa, especialmente aquelas envolvidas no fornecimento de material a Kyiv. A combinação de relatos sobre falhas de segurança, acusações de negligência estatal e menções a agentes estrangeiros exige investigação aprofundada e coordenação transnacional das agências de segurança.
Nesta fase, os fatos brutos confirmados incluem as datas, locais e tipos de incidentes relatados; as motivações e eventuais ligações internacionais permanecem objeto de inquérito. A apuração seguirá com pedido de acesso a relatórios técnicos, laudos periciais e registros de inspeção, além do monitoramento de eventuais novas ocorrências. A realidade traduzida até agora aponta para uma escalada que reúne incêndios, explosões e indícios de sabotagem contra o setor de defesa europeu.
Reportagem de Giulliano Martini, com apuração in loco e cruzamento de fontes oficiais e empresariais.

