Estados Gerais da Educação debatem resposta unificada ao bullying e cyberbullying na Câmara

Na Câmara, Estado Gerais da Educação reúnem autoridades para articular resposta integrada contra bullying e cyberbullying entre jovens.

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Estados Gerais da Educação debatem resposta unificada ao bullying e cyberbullying na Câmara

Por Giulliano Martini — Em uma sessão realizada na Sala della Regina da Câmara dos Deputados, instituições públicas, autoridades judiciais, forças de segurança, representantes do esporte e do terceiro setor se reuniram ontem nos Estados Gerais da Educação e da prevenção para traçar uma estratégia comum contra o bullying e o cyberbullying entre jovens. A iniciativa foi promovida por Enzo Amich, presidente do Intergruppo parlamentare per la sostenibilità digitale e la sovranità tecnologica, em colaboração com o Osservatorio Nazionale sul Bullismo e sul Disagio Giovanile e com o suporte organizacional da Bistoncini Partners.

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O objetivo explícito do encontro foi superar a fragmentação das ações e construir uma resposta coordenada e imediata ao sofrimento juvenil. Os trabalhos foram divididos em dois painéis: o primeiro focado em cyberbullying, segurança digital e as múltiplas faces do desconforto entre adolescentes; o segundo, no papel educativo do esporte enquanto instrumento de respeito e inclusão.

Na abertura, Enzo Amich associou o crescimento dos episódios de bullying à transformação do ambiente onde as novas gerações se formam. «Hoje o bullying, o isolamento e as fragilidades passam sobretudo pelos espaços digitais, onde nenhum ator isolado tem capacidade de intervir eficientemente. Por isso reunimos nesta sala todos os níveis de responsabilidade — da escola ao esporte, das forças da ordem à magistratura. Não basta mais atuar quando o dano já ocorreu: é preciso chegar antes», afirmou Amich, destacando o papel do Observatório como ponto de referência para articular redes de prevenção.

O encontro reforçou que a prevenção exige integração entre instituições e atuação precoce. Segundo Amich, o Osservatorio «está diariamente empenhado em promover confronto e construir uma rede entre todos os atores que contribuem para prevenir o bullying e o sofrimento juvenil». Ele acrescentou que o tema não deveria ser capturado por cores políticas: «o enfrentamento ao bullying e ao sofrimento juvenil não tem cores políticas».

Simonetta Matone, integrante da XII Comissão de Assuntos Sociais da Câmara e com longa experiência na magistratura juvenil, reafirmou o caráter emergencial do fenômeno. «Quando eu lidava com processos de menores, os casos de bullying que chegavam ao Ministério Público eram episódios isolados. Hoje, com as redes sociais, virou uma verdadeira emergência nacional: agressões são filmadas e difundidas on-line», explicou. Matone apontou que instrumentos legais já existem — citando medidas decorrentes do chamado decreto Caivano, que ampliaram a atuação da Procura da Infância, inclusive para menores não imputáveis — mas afirmou que a resposta precisa ser imediata e, quando cabível, sancionatória, pois a punição tem função reeducativa. «A convicção de impunidade é o magma onde o agressor prospera», resumiu.

O ponto de partida técnico do debate foi o Relatório 2026 do Observatório, que trouxe dados e cenários para fundamentar propostas de intervenção precoce e integrada. Os participantes concordaram que a construção de uma rede operacional entre escola, família, serviços sociais, órgãos judiciais, forças de segurança e entidades esportivas é condição necessária para reduzir a incidência de episódios e para garantir percursos de recuperação dos jovens envolvidos.

Em termos práticos, foram defendidas medidas que vão da capacitação de profissionais escolares em segurança digital até protocolos conjuntos entre polícias locais e magistratura juvenil, além de iniciativas esportivas estruturadas como espaços de inclusão e responsabilização. A proposta central que emergiu foi clara: não se trata apenas de reagir ao dano, mas de institucionalizar prevenção articulada e tempestiva.

O encontro deixou encaminhamentos para aprofundamento técnico e sinalizou a intenção de transformar declarações em pactos operativos, com o Observatório assumindo papel de coordenação. A linha mestra definida é a da ação integrada e antecipada — uma resposta pública e contínua para um fenômeno que mudou de palco e ampliou seu alcance com a digitalização das relações juvenis.

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