Roma: ônibus tornam-se ‘ostaggi’ do tráfego; no centro a velocidade chega a 1,08 km/h, aponta estudo

Estudo aponta que ônibus em Roma viram 'ostaggi' do tráfego: trechos no centro chegam a 1,08 km/h; 3.453 áreas críticas identificadas para intervenção.

Roma: ônibus tornam-se ‘ostaggi’ do tráfego; no centro a velocidade chega a 1,08 km/h, aponta estudo

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Roma: ônibus tornam-se ‘ostaggi’ do tráfego; no centro a velocidade chega a 1,08 km/h, aponta estudo

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Um estudo da Fondazione Mobilità in città, encomendado pela coalizão europeia Clean Cities, traça um diagnóstico técnico e preciso sobre a condição do transporte coletivo em Roma: em trechos críticos os ônibus são verdadeiros ostaggi do tráfego motorizado e chegam a circular a velocidades inferiores às de um pedestre.

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Os números traduzem a realidade: a velocidade média nas corsie preferenziali analisadas é de apenas 8,33 km/h, contra 9,55 km/h verificados nos trechos de tráfego misto na mesma área. Em pontos do centro histórico, nós identificamos valores extremos: entre Piazza Venezia e Via del Plebiscito, onde convergem até 23 linhas, a velocidade média é de 1,08 km/h; no segmento Ara Coeli–Piazza Venezia, com até 25 linhas, a média registra 3,5 km/h. São gargalos que transformam rotas com maior oferta de serviço em verdadeiros pontos de estrangulamento da rede.

O estudo inspeccionou mais de 5.600 km da malha viária e analisou 1.187 horas‑veículo de circulação. Constatou‑se que os trechos com velocidade inferior a 10 km/h correspondem a apenas 14,7% dos quilômetros percorridos, mas concentram 42% dos tempos operacionais totais. Em termos práticos: uma porção relativamente pequena da rede gera a maior parte dos atrasos.

Os pesquisadores mapearam 3.453 trechos de alta criticidade, definidos por velocidades abaixo de 15 km/h e pela presença de pelo menos quatro linhas de ônibus. A estratégia proposta pelo estudo prioriza intervenções nesses pontos com maior impacto sistêmico: 87 km classificados como Priorità 1 (corridoios express e corsie esistenti), 53 km em Priorità 2 (corridoios com maior oferta em superfície) e 19 km em Priorità 3 para completar o pacote de ações.

Do ponto de vista prático, a solução defendida pela coalizione Clean Cities é dupla: proteger fisicamente as corsie preferenziali já existentes e completar os corredores estratégicos da rete. A campanha denominada “CorSÌa preferenziale” busca também incluir a proposta nas agendas locais com o horizonte de uma mobilidade urbana a zero emissões até 2035.

O diagnóstico é claro e sobressai pela precisão: o problema de Roma não reside apenas na escassez de faixas exclusivas, mas sobretudo na dificuldade de fazê‑las respeitar. Uma linha amarela no asfalto, sem fiscalização e proteção física adequada, é insuficiente para garantir a eficiência do transporte público.

Conclusão técnica: focar intervenções nos 3.453 trechos críticos pode reduzir significativamente os tempos operacionais e melhorar a regularidade do serviço. A proposta do estudo indica que ações cirúrgicas em 159 km (soma das prioridades) devem produzir benefícios sistêmicos, sobretudo nos corredores com maior demanda e convergência de linhas.

Apuração contínua e monitoramento posterior serão necessários para validar na prática o ganho de velocidade e de confiabilidade do serviço. A realidade traduzida pelo estudo exige decisões técnicas e medidas imediatas de proteção das corsie para transformar a circulação dos ônibus em Roma.

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