Rozzano: investigação abre sobre 'rondas' após espancamento de homem marroquino com suspeita de ódio racial
Carabinieri investigam rondas em Rozzano após espancamento de homem marroquino; hipótese de crime com ódio racial e operação resultou em prisões e apreensões.
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Rozzano: investigação abre sobre 'rondas' após espancamento de homem marroquino com suspeita de ódio racial
Por Giulliano Martini, Espresso Italia — As autoridades italianas abriram inquérito sobre as rondas organizadas por moradores em Rozzano, na província de Milão, após episódios de violência que culminaram no espancamento de um homem de nacionalidade marroquina. Os carabinieri do núcleo investigativo do comando provincial de Milão remetem à Procuradoria uma comunicação em que figuram como hipótese o crime de percussões agravadas por ódio racial.
O foco das investigações está no que ocorreu na manhã de quarta-feira, quando, segundo apuração, a tensão escalou após uma suposta agressão sofrida por uma mulher dentro de um carro. O episódio evoluiu para um ataque coletivo contra um homem marroquino, que foi posteriormente levado ao hospital. Fontes policiais confirmam que agressões similares — vinculadas às mesmas ações de vigilância comunitária — foram registradas à noite e nos dias subsequentes, quando moradores realizaram o que denominaram "rondas por segurança".
Em paralelo, a Prefettura di Milano organizou um serviço extraordinário de controle do território, com reforço do policiamento nas áreas mais afetadas por degradação urbana e por episódios que comprometem a segurança e a vivibilidade local. O balanço operado pelos carabinieri indica: 57 pessoas identificadas, 21 veículos e um estabelecimento comercial fiscalizados.
Durante essa ação integrada, um indivíduo foi detido por suspeita de tráfico de drogas e outros quatro foram denunciados — todos com antecedentes — por delitos relacionados a entorpecentes, crimes contra o patrimônio e porte abusivo de arma. As diligências resultaram ainda na apreensão de diferentes tipos de drogas e de uma arma de fogo.
Na mesma noite, uma ocorrência distinta em via Volta levou à denúncia de uma jovem de 18 anos por resistência a público oficial. Em aparente estado de alteração, a jovem teria arremessado um contentor de lixo contra uma ambulância e, ao ser contida pelos militares, os agrediu com chutes. Imobilizada, foi levada ao pronto-socorro do hospital San Paolo de Milão porque mantinha sinais claros de desorientação; um dos carabinieri sofreu uma escoriação no joelho. Autoridades reforçam, porém, que esse episódio não tem conexão comprovada com as rondas e manifestações de protesto em Rozzano.
Fontes judiciais e policiais informam que a apuração prossegue com cruzamento de imagens, depoimentos de testemunhas e análise de comunicações internas dos grupos que promoveram as rondas. A hipótese de crime com motivação racista — classificada pelos investigativos como ódio racial —, caso confirmada, pode agravar as imputações contra participantes identificados nas investigações.
Em um momento em que iniciativas de vigilância comunitária ganham visibilidade, a investigação em Rozzano serve como raio-x do dilema entre segurança cidadã e ações que extrapolam a legalidade. As autoridades reiteram a necessidade de denunciar condutas ilegais e confiar no trabalho das forças de segurança e do sistema judicial para evitar ações de justiça pelas próprias mãos.
O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público de Milão. Novas diligências e possíveis indiciamentos dependem dos elementos coletados nas próximas etapas da investigação.

