Telegram revive rede sexista 'Phica': troca de fotos nuas e manipulação de imagens de mulheres sem consentimento
Canal 'Phica - la rinascita' no Telegram ressurge com troca de fotos nuas e pedidos de imagens de mulheres sem consentimento; apuração em curso.
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Telegram revive rede sexista 'Phica': troca de fotos nuas e manipulação de imagens de mulheres sem consentimento
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. Surgiu nas últimas horas no Telegram um canal que se intitula Phica - la rinascita, apresentado pelos participantes como sucessor direto do site Phica.net, já extinto meses atrás por conteúdo de caráter sexista. A nova sala, acessível na plataforma de mensagens, reúne uma atividade intensa: mais de 52 mil mensagens trocadas entre usuários, segundo levantamento preliminar das postagens visíveis.
O teor dos conteúdos compartilhados é objetivo e preocupante. Há publicações com imagens explícitas — inclusive fotos de mulheres em posições sugestivas — e comentários que pedem identificação, exposição e humilhação. Um exemplo documentado na própria chat mostra a imagem de uma mulher de costas, de tanga, com a legenda "Nina 42 anni, moglie di Daniele, insultatela". Outro registro contém solicitações do tipo "chi scambia fidanzata? La mia 23enne ignara abbastanza porca" e "chi mi denuda foto?", mensagens que, segundo participantes, poderiam indicar uso de tecnologia para manipulação de imagens, como a geração por inteligência artificial.
Além das imagens explícitas, o elemento que mais alarma é a reiterada objetificação de mulheres e o incentivo ao compartilhamento de material íntimo sem consentimento. Em uma publicação identificada, um usuário assinado como Luca pede: "Vorrei fare una classifica dei culi più belli d'Italia, di qualsiasi ragazza conoscete, scrivetemi in privato" — solicitação que convoca terceiros a enviar fotografias de mulheres, muitas vezes retiradas de perfis públicos em redes sociais como o Instagram, sem o aval das fotografadas.
Na apuração, a cronologia das mensagens e o padrão das solicitações foram cruzados com relatos e prints que circulam em redes públicas. O resultado aponta para um comportamento organizado de reaparecimento: o nome do canal foi apenas minimamente alterado, preservando a marca e a referência ao antigo portal, o que facilita a migração da comunidade e a continuidade das práticas de difusão e classificação sexualizada.
Do ponto de vista jurídico e social, a existência do canal reacende debates sobre a responsabilidade das plataformas e sobre os mecanismos de moderação. A circulação de fotos sem o consentimento das mulheres expostas pode configurar violações de direitos à privacidade e à imagem, além de gerar consequências civis e criminais para os envolvidos. Técnicas declaradas ou presumíveis de manipulação por inteligência artificial agravam o risco, criando novos vetores para a produção de material íntimo falso ou adulterado.
A realidade traduzida pelos fatos brutos exige respostas objetivas: plataformas de mensagens precisam intensificar políticas de denúncia e remoção, autoridades devem acompanhar a reincidência de espaços que se renovam com nomes semelhantes, e usuários devem ser alertados sobre os riscos de compartilhamento de imagens alheias. Em termos jornalísticos, a apuração prossegue para mapear administradores do canal e possíveis ligações com a estrutura do antigo site — trabalho que será divulgado assim que confirmadas as informações por fontes adicionais.
Em síntese, a reemergência do canal Phica - la rinascita no Telegram ilustra a persistência de redes que objetificam mulheres e promovem a exposição sem consentimento, com padrão de comportamento que exige fiscalização e medidas legais e tecnológicas.

