Signorelli (UniSR): coberturas de HPV muito baixas no Sul; é preciso acelerar a vacinação
Signorelli alerta: coberturas de vacina contra o HPV chegam a 85% no Norte e caem à metade na Sicília; é urgente acelerar a vacinação no Sul.
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Signorelli (UniSR): coberturas de HPV muito baixas no Sul; é preciso acelerar a vacinação
Roma — Em painel técnico realizado em Roma sobre a eliminação das patologias relacionadas ao HPV, o professor Carlo Signorelli, da Universidade Vita-Salute San Raffaele de Milão, fez um diagnóstico direto sobre as desigualdades regionais nas campanhas de vacinação: há regiões, como a Lombardia e a Úmbria, com cobertura de cerca de 85% de pelo menos uma dose na adolescência, enquanto em áreas do Sul — em particular na Sicília — as taxas chegam a ser metade disso.
“É necessário trabalhar para elevar as coberturas vacinais, sobretudo nas regiões que hoje apresentam maiores dificuldades. Trata-se de um fato cultural, um fato organizativo e de um approach que exige a colaboração de médicos e ginecologistas. Acredito que ainda há muito trabalho a ser feito”, disse Signorelli durante o evento "Eliminazione delle patologie Hpv-correlate: utopia o possibilità reale?", que reuniu especialistas, sociedades científicas, instituições e associações de pacientes.
O professor explicou o significado histórico da vacina: “O combate ao papilomavírus teve o mérito de ser o primeiro vacina concebida para prevenir um tumor, especificamente o câncer do colo do útero. Exatamente vinte anos atrás houve o primeiro registro; depois vieram outras formulações”. Ele lembrou ainda que o custo inicial elevado exigiu uma intervenção legislativa — um emendamento na lei financeira de 2007 — para permitir que a vacinação fosse ofertada a meninas de doze anos a partir do ano seguinte, uma medida que alcançou amplo consenso político.
Segundo Signorelli, a trajetória da adesão foi marcada por fases: “No início tivemos uma adesão muito boa, depois houve uma queda, e mais recentemente um processo de recuperação. Entretanto, hoje dispomos de um vacina nãoavalente mais eficaz, administrada em todas as regiões italianas, que protege contra nove sorotipos considerados de maior risco para o desenvolvimento de tumores”.
O especialista sublinhou ainda a extensão do impacto do vírus além do câncer cervical: “Descobriu-se que este vírus é responsável, além do tumor do colo do útero, por outros seis tipos de tumor que podem afetar tanto mulheres quanto homens. Por isso, desde 2017 a vacinação passou a ser oferecida também a meninos de doze anos, e é esse o esquema em vigor hoje”.
Sobre os resultados a longo prazo, Signorelli foi cauteloso: “A vinte anos da introdução da vacina contra o HPV, ainda não dispomos de dados que apontem para uma redução clara e imediata das patologias que se desenvolvem ao longo da vida. Há, contudo, uma clara propensão para a prevenção do tumor, porque a vacinação é um investimento na saúde das gerações jovens”.
Como medida concreta para ampliar a proteção, ele assinalou que o Serviço Nacional de Saúde (SSN) está em processo de recuperação daqueles que não foram vacinados aos doze anos, permitindo a vacinação até os trinta anos. “O objetivo é garantir proteção contra esses seis tumores ao longo da vida”, concluiu Signorelli.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e o diálogo com sociedades científicas confirmam que os desafios apontados são sobretudo estruturais: diferenças organizativas regionais, lacunas de comunicação e resistência cultural demandam uma estratégia integrada entre autoridades sanitárias, clínicos e campanhas de informação. A realidade traduzida em números exige, segundo os especialistas reunidos, um cambio di passo imediato para reduzir a desigualdade territorial e ampliar a cobertura vacinal.
Giulliano Martini — correspondente, Espresso Italia. Reportagem com base em intervenção pública de Carlo Signorelli e em material do convegno sobre HPV em Roma.

