Gialappa's Band promete foco musical no Controfestival de Sanremo: 'Não será Paola Iezzi'
Gialappa's Band confirma espaço musical no Controfestival de Sanremo, com Vittorio Cosma; negam Paola Iezzi como condutora e mantêm mistério sobre a fórmula.
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Gialappa's Band promete foco musical no Controfestival de Sanremo: 'Não será Paola Iezzi'
Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que mistura ironia e precisão, Gialappa's Band — representada por Marco Santin e Giorgio Gherarducci — reacende a curiosidade sobre o que será o chamado Controfestival, o novo espaço que ocupará o término das noites do próximo Festival de Sanremo. Em evento do Festival dello Spettacolo, organizado por Tv Sorrisi e Canzoni no Superstudio Più, em Milão, os dois deixaram claro que não vão revelar agora quem será a condutora: “Não diremos quem será a condutora, mas podemos antecipar que não será Paola Iezzi, como disse ontem Stefano De Martino”, declararam com a cadência de quem conhece o jogo midiático.
Há, porém, uma certeza que alimenta expectativas: o Controfestival reservará “uma grande parte musical”. Santin e Gherarducci adiantaram que a direcção musical ficará mais uma vez nas mãos do maestro Vittorio Cosma, já conhecido do público por seu papel no histórico GialappaShow. A promessa é de uma proposta que valoriza a música ao vivo e a reapropriação de repertórios esquecidos pela televisão comercial.
“Tivemos convidados musicais importantíssimos e redescobrimos peças maravilhosas que na televisão nunca passam”, lembraram, evocando uma curadoria sonora que pode funcionar como um espelho do nosso tempo — ou, se preferirmos, como um contracampo que desmonta o roteiro padrão das transmissões de massa. É essa sensibilidade curatoral que transforma o formato em algo mais próximo de um side story cultural do próprio festival, um eco que amplia e refrata o que Sanremo oferece ao público.
Os apresentadores também esclareceram a origem do projeto: a ideia não nasceu com eles. “Nos chamou o diretor artístico. Já se falava nisso no ano passado, mas então não nos chamaram. Desta vez aconteceu, e, tendo já feito duas edições do Dopofestival, ficamos muito felizes”, explicaram. A frase revela tanto a humildade estratégica quanto a vontade de repetir uma tradição de pós-analítico televisivo que mistura comentário, humor e música — uma espécie de reframe da realidade festivaliera que o público moderno aprecia.
Quanto à forma do programa, o mistério permanece: “Ainda temos que decidir como faremos”. A indefinição não é apenas técnica; é também sintoma de um tempo em que formatos se experimentam em público, num processo participativo que pode transformar a transmissão em performativo cultural. Na prática, isso significa que o Controfestival pode oscilar entre talk show, palco musical e laboratório crítico, dependendo das escolhas editoriais que ainda estão por vir.
Como observadora que busca o sentido além do óbvio, vejo nesse anúncio um movimento emblemático: a televisão — e, por extensão, a cultura popular — segue redefinindo suas bordas. A presença de nomes como Vittorio Cosma e a promessa de repertório resgatado anunciam não apenas entretenimento, mas um gesto curatorial que dialoga com memória e identidade. Em outras palavras, o Controfestival tem potencial para ser mais do que um espaço pós-show; pode ser um pequeno laboratório cultural dentro do grande palco que é Sanremo.
Ficamos, então, no aguardo das definições finais e da escolha da condutora — um desfecho que promete ser tão comentado quanto as próprias canções em competição.

